Alvejado ao vento

Alvejado ao vento
Robledo Carlos (de Divinópolis)




Já vi tinto em sangria,

ou noutro vinho qualquer.

Já vi sangue de donzela,

vi respingos de colher,

mas a  mancha que mais tinge,

é lágrima de mulher.

Tem penduradas de linho

caxemira e tergal,

tem até os remendados,

tem o terno, avental,

todos juntos estendidos

no balanço do varal.

Vem o sol e traz o vento

e a todos atravessa

as quaradas  pintam o céu,

e o branco se expressa:

— Quando venta no varal,

a roupa seca depressa.

Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras