As paleotocas dos tatus gigantes
O título não é uma piada. Trata-se de uma das descobertas paleontológicas mais fascinantes em plagas tupiniquins. Seu estudo se faz através da paleontologia, ciência fascinante alavancada pelas sensacionais teorias de Darwin sobre a evolução das espécies. Por aqui também aconteceram descobertas interessantes na área paleontológica. Formiguenses tiveram sua atenção despertada em meados do ano 2000 para a descoberta de um fóssil de mastodonte em Pains, do qual há ossos no museu municipal, Estaa descoberta gerou jurídicas dores de cabeça para certas pessoas que tentaram se aproveitar financeiramente do fato. Aqui no Brasil é crime coletar e possuir fósseis, a não ser museus e universidades.
Em amostras de paleossolo da região do Karst é comum encontrar ossos, dentes, conchas e outros vestígios de fauna já extinta. Há também vestígios que remontam às origens da vida no planeta, culminando com estromatólitos de mais de bilhões de anos intercalados nos calcários da região.
No cômputo geral, evidências da grandiosidade da vida do passado pululam aqui e acolá, culminando muitas vezes em descobertas sensacionais como estas lá no sul do país, feitas por um grande amigo professor universitário da UFRGS. Como todo grande cientista, seu caminho acabou por interceptar descobertas fascinantes na mineralogia e paleontologia, dentre elas as paleotocas. Estas são icnofósseis (dejetos, marcas, estruturas) criadas pela ação de animais diversos, dentre eles gigantescos “tatus” já extintos, além de preguiças gigantes. Hoje o maior tatu que temos é o Canastra, mas no passado animais semelhantes atingiram dimensões impressionantes, pertencendo à chamada “megafauna”.
Em muitos dos locais estudados, as paleotocas estão situadas em sedimentos diversos que se intercalam com derrames vulcânicos com milhões de anos de lapso. Devido a isto, ficam preservadas até as marcas de unhas do animal que as escavou. O comprimento dos túneis é variável, mas há alguns com dezenas de metros de comprimento. Segundo sua equipe de paleontólogos, os prováveis gêneros dos animais são dasypodideos como Pampatherium, Eutatus ou Propraopus grandis, comuns no quaternário.
Depois de descobertos, estas paleotocas são devidamente medidas, fotografadas e mapeadas pela equipe de pesquisadores. O nível de detalhamento é muito grande e até impressões da carapaça do animal podem ser apreciados nas paredes dos túneis. A conduta que norteia os profissionais daquela universidade DEVE ser seguida por todas as instituições de ensino do país, já que assim se pode compartilhar o conhecimento produzido e interagir com a comunidade através da divulgação de pesquisas e intercâmbios diversos, prestando serviços de inestimável valor à ciência e cultura em nosso combalido país. Enquanto isto, diversas tocas cavadas por estes “fusquinhas ambulantes” aguardam serem descobertas!
* Creio que em nossa região eles não se deram o trabalho, visto que o número de cavernas e locas nos calcários é enorme.
Anísio Cláudio Rios Fonseca é professor do Unifor-MG e coordenador do laboratório de mineralogia e-mail: anisiogeo@yahoo.com.br

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