Aventuras no sertão

Aventuras no sertão
Anísio Cláudio RiosAnísio Cláudio Rios Fonseca (de Formiga/MG) Fonseca é professor pesquisador do Unifor-MG e coordenador do laboratório de mineralogia e-mail: anisiogeo@yahoo.com.br




Até parece um causo contado à beira de uma fogueira aconchegante, mas não é não. É um caso mesmo, uma memória incrível. Há quase 16 anos Fui contratado para fazer um trabalho de prospecção de quartzo em uma imensa fazenda lá no norte de minas, onde o vento faz a curva. Região pontilhada de belezas únicas e mistérios, era até então totalmente desconhecida por mim. Amante das ciências naturais, principalmente a geologia e a botânica, fui imediatamente cativado por aquele lugar. Aquelas cadeias de serras do grupo Espinhaço descortinavam em seus bordos cortantes a história geológica do nosso estado. 

Depois de rodar vários quilômetros por asfalto, outros vários quilômetros por estrada de terra me aguardavam. Estávamos programados de ficar na casa de uns trabalhadores de uma fazenda ao lado e, depois de erros e acertos pela estrada nova, chegamos ao local onde íamos pernoitar- isso quase anoitecendo. Casas simples, sem luz elétrica (o gerador estragou) e água quente para o banho, encardidas de vermelho devido à natureza do solo. 

Ao redor, as surpresas; grandes cristais de quartzo jaziam por toda parte. Feliz como um pato na água, comecei a estudar toda a região ao redor. Meus contratantes foram espetáculos à parte. Extremamente gentis comigo, se enfiavam em conversas e questões que, muitas, vezes, geravam diversas opiniões sobre que tinha a razão. Para mim, divertidíssimo. Os três trabalhadores que nos acolheram foram muito prestativos, dividindo tudo o que tinham e cedendo camas para nós. A última vez que dormi tão bem foi na infância. Às 20:00h já estávamos na cama. O interessante mesmo foi no dia seguinte. Meus patrões simplesmente não conseguiram localizar uma propriedade de 1800 hectares. Propriedade deles! Hahahahaha! Se fosse um retângulo teria 6 km de comprimento por 3km de largura. Mas como eu me diverti com os dois tentando encontrar pontos de referencia para entrar na propriedade. É que não iam na região há vários anos e ali tudo é muito parecido.. Entrando naquele labirinto de estradas e sem uma alma viva para nos orientar, rodamos das sete até o meio-dia e só bem depois conseguimos achar o local.

Meses depois fui de novo com eles e daí deu tudo certo, mas o caso da propriedade perdida virou motivo de boas risadas. A natureza exuberante e as minerações de cristais de quartzo existentes na região acabaram por fazer essa aventura ainda mais atraente. Uma riqueza sem par. A vegetação exuberante e as cores vivas das flores deixaram marcas indeléveis que o tempo não vai apagar e parte de mim ainda vive lá...

(Anísio Cláudio Rios Fonseca é professor pesquisador do UNIFOR-MG e coordenador do laboratório de mineralogia) e-mail: anisiogeo@yahoo.com.br