Bendita tempestade

Bendita tempestade
Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras




Oh bendita tempestade,

que quebrou vidros da janela

e chuva fina agora invade,

deixando o vento entrar por ela.

É despertar de passarinho,

de solidão a companhia,

melhor sair frente ao espelho,

bailar com o tempo e sintonia.

Se fez então risco molhado,

ao som dançante do assovio

e o vento cantava afinado,

tempo nos braços em rodopio.

Uma hora passa eu,

em outra o tempo a passar,

são dois pra lá e dois pra cá.

O contratempo no dançar,

é hora de saber brecar,

mas o triste nessa dança,

é que o tempo não saber parar.