Bonsai

Bonsai
Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras




Dessa mão que faz a poda,

pouco em mim e nem dou sombras,

já me cortas as arestas,

eu sou sombra de outra sombra.

E nem sou eu um carvalho,

um jasmim ou um pinheiro,

nem dormia ao orvalho,

sou um pobre prisioneiro.

Molda-me covardemente

a seu modo, bel prazer,

retorcido falsamente,

meu sofrimento seu lazer.

Eu sonhei em ser floresta,

me guardei em pequinez

e o cerne que me resta

é de florir outra vez.