Café das três

Café das três
Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras




Me passe um café, já são quase três,

um café de avó, coado assim,

mais fraco sutil, ou forte talvez,

e faça um menu, bolinho de aipim,

manteiga e pão e pastel chinês.

Senta no sofá, bem perto de mim,

vem ver futebol, pra quem vai torcer,

pro time de azul, não é bom, é ruim,

quem sabe cantar, o Meu bem querer,

é do Djavan, quem sabe Jobim.

Eu quero é amar, depois de um café,

deitado em você, nos dois no sofá,

perdendo a razão, de homem, mulher,

nós sem timidez e sem blá-blá-blá

e nem lero-lero, nem quero café,

é você que quero, e sem blá-blá-blá

já são quase seis, me passe um café.