Café entre guerras e incertezas

Café entre guerras e incertezas
Cida Leal é jornalista e escreve sobre economia às terças-feiras




Depois do “tarifaço” americano e de uma sequência de problemas climáticos que vêm afetando a oferta global, a cadeia produtiva do café se vê diante de mais um fator de incerteza. Reportagem publicada na última sexta-feira pelo Valor Econômico mostra que o setor já começa a avaliar os impactos da escalada do conflito no Oriente Médio sobre a logística marítima e o custo dos fretes.

O jornal reproduz declaração do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café, Pavel Cardoso, segundo quem o mercado enfrenta turbulências desde 2021, quando problemas climáticos em países produtores passaram a comprometer a oferta global. A situação contribuiu para uma escalada nas cotações internacionais, que atingiram níveis historicamente elevados a partir de novembro de 2022.

A expectativa era de que uma safra maior ajudasse a recompor os estoques em 2025, o que não se confirmou. Agora, as atenções se voltam para a colheita de 2026, que tende a ser mais confortável e pode ajudar a equilibrar produção e consumo no mercado mundial.

A nova preocupação envolve o transporte internacional. Nesse contexto, a intensificação das tensões no Oriente Médio já pressiona o custo da logística marítima e dos fretes.

O tema tem peso especial em Minas Gerais. O Estado responde por cerca de metade da produção brasileira de café, sobretudo da variedade arábica. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento indicam que a produção mineira deve superar 26 milhões de sacas nesta temporada.

Enquanto o mercado observa a próxima safra, o consumidor brasileiro já sente os efeitos desse cenário de pressão. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o preço do café moído tem registrado altas expressivas na inflação.

Entre clima, geopolítica e logística global, o café segue navegando em águas agitadas. No fim das contas, toda essa turbulência internacional acaba sempre desembarcando no mesmo lugar: a xícara e o bolso do brasileiro.