Casa de meus pais
A esquadria do velho portão
tem glamour e branco carcomido
parece que chora em solidão
de arame selado retorcido.
Guarda um jardim de janelas tristes.
Cravos, rosas, crisântemos secaram.
Um pequeno funcho, de pé resiste,
dos outonos do tempo que vieram.
A grade fria impede meu rosto
e minhas mãos tentam ultrapassar,
desse tempo meu, agora exposto,
essas velhas estações alcançar.
O vento adentra, sopra, faz graça,
procura por crianças de um dia,
ele brinca, procura mas fracassa
e bate as janelas em rebeldia.
Outrora, já não há lá mais ninguém,
somente eu, aqui triste de fora,
e guardando para que nunca apaguem
as doces lembranças que tenho agora.
Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras

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