Chico Lima
Nem sempre ser dono de um currículo recheado significa ter eficiência e dedicação, principalmente no serviço público. Ao contrário, a experiência e o empenho individual jogam por terra a arrogância de algumas pessoas que tiveram a oportunidade de adquirir conhecimentos acadêmicos, mas que abandonaram a humildade, a empatia e o respeito para com os subalternos. Um exemplo de que essas afirmações são verdadeiras é a vida e a trajetória laboral do saudoso Francisco Teixeira Lima, o Chico Lima, que pouco frequentou os bancos escolares, mas era competente e admirado por todos os que com ele trabalhavam, chefes e subordinados. Era um verdadeiro líder.
Francisco Teixeira Lima nasceu em Formiga, em 22 de janeiro de 1895. Filho de Pedro Alves Lima e Laura Teixeira Lima. Casou-se com Herlinda Corrêa Borges, com quem teve sete filhos: Maria de Lourdes, Luiz, Lauro, Zélia, Renilde, Fernando e Arnaldo. Católico fervoroso, pai amoroso e dedicado à família, tinha o hábito de frequentar diariamente a igreja para rezar o terço e assistir à missa das seis da manhã. Somente após esse ritual, se dirigia ao trabalho.
Como Vicentino, foi provedor da Santa Casa de Formiga, ajudando na sua manutenção, tendo organizado uma campanha para substituir o antigo telhado por uma cobertura de laje de concreto. Doou duas casas para os Vicentinos, que alugava, sendo a renda revertida para ajudar os necessitados. Fazia visitas ao Asilo São Francisco de Assis, sempre levando seus filhos para despertar neles o amor aos mais carentes.
Como mestre de obras, coordenou as construções dos prédios do Colégio Santa Teresinha e do Ginásio Antônio Vieira. Era ele quem ia a São Paulo para comprar os materiais que seriam utilizados nessas duas construções.
Ingressou na Prefeitura Municipal de Formiga, tendo servido a várias administrações, até se aposentar. Chico Lima foi da estrita confiança dos prefeitos Sócrates de Menezes, Ary Aluizio Soares, Mariano Silva, Luiz Belo e Arnaldo Barbosa. Com eles trabalhou na função de fiscal de obras, mas na verdade era um encarregado geral da Secretaria de Obras, tudo passava pelo seu crivo. Costumava ir a pé vistoriar as construções em andamento, só utilizava o veículo da Prefeitura, um velho Jeep, para as obras mais distantes ou na zona rural. Os mandatários confiavam a ele a conferência dos cálculos feitos pelos engenheiros, antes da execução de qualquer empreendimento.
Um fato que demonstrou sua capacidade, foi ter resolvido o problema das quedas da ponte da “Mina Santa” (ponte da Rodoviária), que dava acesso à então Charqueada, hoje Bairro Novo Santo Antônio. Toda enchente levava a ponte. Chico Lima insistia com os engenheiros que os cálculos da estrutura estavam incorretos, até que o prefeito da época autorizou que a ponte fosse construída seguindo as orientações do seu fiscal de obras Chico Lima. Decisão acertada, pois esta ponte permanece em pé até hoje.
Em homenagem a esse exemplar funcionário, uma das pontes que foi construída por ele recebeu o seu nome, trata-se da ponte “Chico Lima”, sobre o Rio Mata Cavalo, que dá acesso ao bairro Quinzinho, na Rua Lassance Cunha.
Um fato de realce que teve a sua participação, foi quando o órgão da Igreja Matriz São Vicente Férrer precisou ser consertado. Por ser um instrumento raro e valioso, foi contratado um especialista vindo da Alemanha para realizar os reparos. Chico Lima foi solicitado a ajudar. Apesar do pouco estudo e de não falar alemão, ele e o técnico se entenderam e o os trabalhos foram executados. O órgão está funcionando plenamente até os dias atuais.
Com o falecimento de sua esposa, em 1972, Chico Lima, abalado, sofreu um infarto. Quando se recuperou, montou uma pequena marcenaria em casa por incentivo dos seus filhos. Passou a fazer pequenos móveis de madeira, como bancos e estantes. Utilizava somente ferramentas manuais e evitava o uso de pregos nas peças, que eram todas encaixadas. Deu um banco para cada filho e filha e doou um para o Colégio Santa Terezinha.
Chico Lima, faleceu em 10 de agosto de 1977, deixando a sua marca em vários pontos da cidade. Seu neto Francisco Cruz Lima, que também é conhecido por Chico Lima, é engenheiro civil com várias obras reconhecidas na cidade de São Paulo. Sua bisneta, Laís Lima Guimarães Farnese, também se formou em engenharia civil no conceituado UNIFOR/MG, estando hoje atuando na compatibilização de projetos na empresa OTUS, em Florianópolis/SC. Os dois têm formação acadêmica, porém estão mantendo o legado de humildade e correção do saudoso Chico Lima, um exemplo de servidor público municipal, cujos passos devem ser seguidos pela atual geração de servidores.

Jorge Zaidam Viana de Oliveira é formiguense

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