Crônica: ZUM ZUM ZUM
AC de Paula (de São Paulo)
O cara era tipo assim um tanto quanto meio que mequetrefe, cheio de nó pelas costas e sem papas na língua. Era chegado em colecionar bugigangas e tinha um verdadeiro fetiche por essa palavra, que ele achava esdrúxula e excêntrica, mas que tinha uma sonoridade que muito lhe agradava.
Ele era meio inconsequente e serelepe, cheio de siricutico! Um belo dia, no terreno baldio, que era o campinho de terra da molecada, e ficava do lado esquerdo da padaria do Martins, instalaram um parque de diversões, que literalmente acabou com a diversão da turma da rua.
Havia certas pessoas, as mais antigas é claro, que chamavam aquela geringonça giratória de circo de cavalinhos, certamente devido aos pôneis de madeira do carrossel.
Foi bem ali perto daquele trambolho que o trem da alegria descarrilou causando o maior quiprocó, o rebu teria grandes consequências.
Ele foi o primeiro a tomar conhecimento do ocorrido, havia levantado bem cedo para ter mais tempo para não fazer coisa alguma.
Quando a equipe da televisão chegou, ele vislumbrou o privilégio de ter seus cinco minutos de fama, e botar a sua cara no mundo relatando os fatos, claro que, valorizando aquilo que ele achava importante.
Porém quando se viu cara a cara com a repórter loira de olhos cor de esperança e sorriso de marfim, ficou assim meio que sem jeito, envergonhado e lembrou-se de ter um vocabulário restrito e do tempo o onça.
Então ele travou e resumiu os fatos em uma única frase:
- Foi o maior zum zum zum!

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