Cronicando: Vorta pr’eu

Cronicando: Vorta  pr’eu
Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras




Quando amilembro da tua partida,

isso foi antonte e o sol  areluzia.

Amanha vai fazê seis mêis.

Ali da ginela, nos óio as lágrima escoria que pingava no chão seco de terra batida da cunzinha.

As vista arcançô vancê até lá na cancela

e de lá pra frente embaçô tudinho.

Alí, no giral brilhava a panela e a bacia que vancê ariô e nem guardô.

O fugão de brasero, pouco... nem ardia,

estralava, fumaça poca e eu um miserento infeliz de coração quente.

Fartô eu tê um cado de cobre, mais umas três nuvía, uns porco e um galo cantadô.

Pensei em fazer dinhero com a sanfuninha, ou tarves vendê nossa vaquinha, pra mode te buscá de vorta pra eu.

Ôce mais eu, eu até pensava que nois era feliz, mas nois num fumo feliz, nois tentemo, mas num sêmo.

Nois pode até compra umas cabrita com o dinheiro da  sanfuninha, mas eu queria muito vance junto d’eu.

Pedi nossa Sinhora, que alumie os seus caminhos e trais você de vorta pra eu.

Lá em riba no cruzero, rezei pras arma que protege o amor, pedi pra trazê ocê de vorta pra eu.

A noite vem e eu fico espiando as estrela e pensando onde é que tá meu amô.

Vancê abandonou eu, é modi eu cê pobre, mas Deus há de me concedê um novo amor, pra mim fazê uns calamengau.

Pedi a NosoSinhô, que desse um sinal pra eu, caso vancê num vortá.

Ele deu.

Eu vi uma estrela cadente e entendi o sinal.

Amanhã vou tirá seu retrato da parede, a medalinha que vancê me deu, eu pichei ela no pasto, num vô ouvi mais a nossa moda na radiolinha, seu vestido de flor vou dar quem sabe, para um novo amor, nem vô vendê a nossa vaquinha.

Comprei umas panela nova e um disco do Odair José, que diz assim:

Ôvô tirá você desse lugar...ainda penso nocê sua desarmada, rapariga da disgrêta.