Custo Invisível Um prejuízo de todos

Custo Invisível  Um prejuízo de todos
Cida Leal é jornalista, córrego-fundense e escreve sobre economia às terças-feiras




A engrenagem da economia de Córrego Fundo passa, inevitavelmente, pela gestão eficiente dos recursos públicos. E, nesse contexto, a divulgação do ‘Faltômetro’ da Secretaria Municipal de Saúde, na semana passada, lança luz sobre um aspecto pouco visível, mas de impacto direto nas contas do município: o custo das ausências em consultas médicas.

Somente no mês de dezembro de 2025, 58 pacientes não compareceram a atendimentos previamente agendados na rede municipal. As faltas se concentraram, principalmente, em especialidades que demandam maior investimento, como psiquiatria, ortopedia e exames de ultrassonografia, além de outras áreas que dependem de contratos especializados e estrutura técnica contínua.

Cada vaga não utilizada representa recursos já empenhados, desde a remuneração de profissionais até a manutenção de equipamentos e espaços físicos, que deixam de cumprir sua função social. Em um município de pequeno porte, onde o orçamento precisa ser cuidadosamente equilibrado, esse tipo de desperdício compromete a eficiência do gasto público e reduz a capacidade de atendimento à população.

Além do impacto imediato, o problema gera reflexos econômicos a médio prazo. A ausência em consultas pode atrasar diagnósticos e tratamentos, aumentando a demanda por procedimentos mais complexos e onerosos no futuro. Trata-se de um efeito em cadeia que pressiona ainda mais o sistema de saúde e limita investimentos em outras áreas estratégicas do desenvolvimento local.

Ao tornar públicos esses dados, o ‘Faltômetro’ cumpre um papel pedagógico e econômico. Mais do que um instrumento de controle, ele estimula a corresponsabilidade dos usuários e permite o remanejamento de vagas, otimizando recursos e fortalecendo a sustentabilidade financeira da saúde pública em Córrego Fundo.