Depois da 2ª pior chuva em 34 anos, Bambuí já está praticamente recuperada

O município registrou 844 milímetros de chuva em janeiro e fevereiro

Depois da 2ª pior chuva em 34 anos, Bambuí já está praticamente recuperada
Regiões de Bambuí ficaram debaixo d’água




As chuvas do início de 2026 foram cruéis com a cidade de Bambuí, os dois primeiros meses de 2026 entraram para a história. Segundo dados da Estação Climatológica do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o município registrou 503 milímetros de chuva em janeiro e 341 milímetros em fevereiro, somando 844 milímetros no bimestre. O volume impressiona porque, em apenas dois meses, representou mais da metade da média anual histórica da cidade, que é de 1.434 milímetros.

A análise da série histórica confirma a dimensão do fenômeno: o acumulado de 2026 foi o segundo maior já registrado para o período de janeiro e fevereiro nos últimos 34 anos, ficando atrás apenas de 2008, quando o bimestre somou 914 milímetros. Ainda assim, o cenário atual se destacou pela intensidade e pela constância das chuvas pelos dias consecutivos.

Mãos à obra

Assim que a água baixou, uma verdadeira força-tarefa organizada pelo prefeito Firmino Júnior/PODE e seus assessores deu início aos trabalhos e tudo voltou à normalidade em menos de 30 dias. Os serviços não foram poucos: cerca de 500 toneladas de pedra foram removidas, 30 pontos de atoleiros foram recuperados em estradas rurais, houve a limpeza e manutenção de bueiros com trabalhos não só corretivos como também preventivos.

“Nossa Defesa Civil e nossa equipe de obras atuou no corte de árvores caídas, houve intenso trabalho de limpeza das vias e análise profunda da situação, tanto na questão das recuperações necessárias quanto na prevenção de ataques de animais peçonhentos. A questão da proliferação de doenças ainda merece atenção, não há como relaxar”, disse o prefeito, que completou: “Houve coesão e comprometimento dos funcionários e conseguimos colocar a vida nos trilhos no menor tempo possível. Contra intempéries, não temos muito o que fazer, mas com relação às prevenções e medidas imediatas, não podemos perder tempo. Fomos rápidos e conseguimos os resultados necessários”, comentou Firmino Júnior.

A história

Outros anos considerados chuvosos ficaram abaixo do registrado agora. Em 2020, o acumulado foi de 790 milímetros, enquanto em 2022 chegou a 758 milímetros. Já em 2004 foram 684 milímetros e, em 2009, 664 milímetros no mesmo período. Os números reforçam o caráter excepcional do início de 2026.

O impacto desse volume elevado é sentido diretamente no dia a dia da população. Nas estradas rurais, o excesso de água favorece a formação de atoleiros, erosões e valetas, dificultando o transporte escolar, o deslocamento de moradores e o escoamento da produção agrícola. Na área urbana, a intensidade das chuvas contribui para o surgimento de buracos, desgaste precoce do asfalto e sobrecarga no sistema de drenagem.

“Apesar dos transtornos, ações preventivas adotadas pelo município ajudaram a reduzir significativamente os impactos. A construção de quase 200 barraginhas teve papel fundamental ao reter a água da chuva, diminuir a força do escoamento e reduzir processos de erosão. Além disso, essas estruturas contribuem para a infiltração da água no solo e a recarga de nascentes. Sem esse conjunto de intervenções, a situação poderia ter sido muito mais crítica, tanto na zona rural quanto na cidade”.

Segundo o prefeito, o balanço, apesar das dificuldades, é positivo: “Mesmo diante de um período de chuvas tão intenso, com um dos maiores volumes já registrados em nossa história recente, eu considero que conseguimos superar bem esse desafio. Sabemos que os impactos são inevitáveis, principalmente nas estradas rurais e no asfalto da cidade, mas desde o início das chuvas nossas equipes estiveram nas ruas e no campo, trabalhando sem parar”.