Desencanto

Desencanto
Robledo Carlos (de Divinópolis)




Na plenitude, o lírio,

ao tempo e seu intento,

com esforço, sem martírio,

se dobra em brisa e vento

e que baila em delírio, 

mas para seu fim, encanto.

Dos cuidados que não cessa,

até o fim da colheita,

se é o fim,  ou começa,

qual futuro espreita,

da esperança promessa,

de encontrar a mão perfeita?

Na mão então reluzente,

se fez em brilho esplêndido

e, aos olhos de um descrente,

nem o perfume sentido,

do infortúnio diante,

a existência valido.

Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras