Educação científica
Ah, a ciência...nada como ela para o crescimento pessoal. Desde a minha infância tive uma educação muito focada no que diz respeito ao conhecimento científico. Tive muito acesso a publicações, coleções, enciclopédias que a maioria não pode usufruir e estudei avidamente estas publicações, as quais faziam parte das minhas brincadeiras. Mesmo com alguma dificuldade, meus pais não deixaram nunca que o conhecimento científico deixasse de adentrar a nossa casa e possuo minhas coleções de livros e fascículos em bom estado até hoje. A mescla de fantasia e ciência se misturava em mil e um projetos mirabolantes que saiam da minha cabeça para o papel, fazendo assim minha infância e juventude mais coloridas, algo mágicas até.
Os anos se passaram e eu cresci, mas este afã de estudar, criar e passar para o papel vários projetos nunca cessou. Acredito que isto se deveu à minha educação científica; ao acesso a todo tipo de informação da melhor forma possível e ao incentivo ao estudo e às minhas tentativas nos campos da redação, do desenho, da música e dos inventos. Aliado a isto tudo, claro, a educação tradicional propriamente dita. Aquela educação que abre qualquer porta e que faz da polidez e elegância sua marca registrada.
Hoje vejo um mundo globalizado, onde o acesso a informação se dá na casa dos nanosegundos e todo e qualquer assunto pode ser acessado gratuitamente na internet, infelizmente incluindo aquelas milhões de informações inúteis que permeiam a web. Aproveito com reservas estas oportunidades do mundo moderno e fico pensando no que eu poderia ter feito se existissem na minha criancice. Ao mesmo tempo, penso que talvez eu teria caído na inércia mental por causa de tanta facilidade e não tivesse desenvolvido um lado tão ávido por informações e conhecimento.
Na enorme responsabilidade de ser pai, tentei criar meus filhos de maneira que pudessem retirar o melhor das duas épocas. Criei meus filhos mais velhos, companheiros de coletas de campo, passeios e pesquisas livres em sua criatividade, permanentemente ligados ao meio rural e, ao mesmo tempo, ligados nas facilidades da vida moderna. Acho que foi uma boa medida.
A gente tem que parar com essa bobagem de achar que tudo da nossa época era melhor, ou era mais difícil, ou mesmo que tudo hoje é ruim. Cada época tem suas facilidades e dificuldades, e nos cabe superar e usufruir c cada momento do nosso tempo. Entretanto, o celular, infelizmente, se tornou um câncer para os mais jovens e a família se perdeu ainda mais nesta luta.
Paradoxalmente, com a quantidade de informações que existem à disposição hoje em dia, fico pensando qual a explicação para o nível educacional sofrível dos nossos jovens em geral. Não vou nem incluir aí o conhecimento da língua portuguesa, porque seria até cruel da minha parte. O caso é que com tanta informação disponível na mídia e nos meios eletrônicos, seria lógico pensar que o conhecimento em geral seria muito maior. Sofrível. Não falo da cultura de massa, mas da educação básica e do conhecimento científico primário; daquele conhecimento que faz a diferença do profissional que entra num mercado de trabalho onde a competitividade é imensa.
Creio que esta educação científica de que falo é prejudicada nos dias de hoje pela desestruturação da família, principal fonte de educação e saber. Uma família desestruturada é um passo certo na direção da inércia mental e do vício, praga que assola a juventude, mas, o que fazer? Parece um problema sem solução. Como manter a família estruturada num mundo que se utiliza das mesmas facilidades modernas para pregar a futilidade, a superficialidade, o materialismo e o consumismo, em detrimento do amor e da união entre as pessoas? Como fazer essa moçada de hoje sonhar mais um pouco e voltar a ser feliz? Discriminam até o conceito de família, julgando que outros tipos de união não são famílias...

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