Estou por aqui

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“A arte é o belo, e o belo é o que me emociona”, dizia a professora Aparecida Resende em suas aulas de Teoria da Literatura; “A arte existe porque a vida não basta”, afirmava o poeta maranhense Ferreira Gullar. Maria José Boaventura é daqueles seres geniais e impacientes que não se contentam em guardar só para si o que é belo e bem sabe que nenhuma vida é bastante sem a produção e a contemplação da delicadeza das obras que representam as expressões do que é mais sublime e profundo.

Nascida em 17 de março de 1960, a Zezé, como também é conhecida, é das mais importantes artistas visuais da história de Formiga. Filha de Afonso Garcia Leão e de Maria Aparecida Amarante Garcia, é casada com Alexandre José de Melo Boaventura, mãe do Felipe Amarante Boaventura, da Carolina Amarante Boaventura e avó apaixonada do Felipe e do Vinícius. “Netos são impressionantes, eles fazem aflorar um amor inacreditável e intenso.

Maria José inicou seus estudos no Colégio Santa Teresinha, passou pelo Rodolfo Almeida, pela Escola Normal, pelo Tonico Leite, o GOT, e voltou ao Santa Teresinha para terminar o segundo grau. Graduou-se em Biblioteconomia no Unifor-MG e em Artes Visuais pela Unifran. Tem pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas de Cultura no Instituto Itaú, em Cultural/Universitat de Girona (Espanha)/Cátedra de Cultura da Unesco, e pós em Educação a Distância no COC/Uniseb.

“Nasci e cresci no Bairro do Engenho de Serra. Sou a quinta de seis irmãos. Tive uma infância marcada por brincadeiras de rua, saltos da ponte em um areião do Rio Formiga. Gostava de ver a enchente agarrada ao guarda-corpo imaginando viajar em um navio. Era sapeca, mas brincava de casinha, que tinha até um pianinho que alimentava meus sonhos. Era curiosa, queria saber de todos os porquês, questionava tudo e era muito desconfiada, tímida e cheia de medos, me assombravam as provas escolares, tirar fotografias e a possibilidade de algum ladrão aparecer; chegava a ficar acordada à noite para vigiar a casa.”

“Na adolescência, eu era a careta da turma, não fumava nem bebia, porém estava sempre feliz, desde de cedo me vi embriagada pela arte. Aos 17 anos, reencontrei Alexandre, meu esposo, o rapaz que, aos dez anos, eu disse que namoraria um dia”, comenta.

“Tenho profundo respeito por Formiga. Acredito que a ligação com o solo natal cria um vínculo que não se rompe, é como se a terra que nos alimenta nos reconhecesse de volta. Gosto dos morros, dos rios, da lagoa, do vale para onde escorre o nosso centro. Gosto, sobretudo, dos pores do sol, para mim é a luz mais bonita que conheço.”

Hoje, Maria José mantém o mais importante e comentado ateliê da região, o “Maria José Boaventura Arte de Artel”, que já formou vários artistas de renome. Na gestão pública, foi secretária municipal de Cultura entre 1993 e 1996, sendo uma das responsáveis pela implantação da Emmel e iniciou o processo de aquisição dos imóveis da antiga RFFSA e implantou o Compac e o Projeto de Proteção do Patrimônio. Entre 2013 e 2014, participou da criação e inauguração do Centro Cultural Casa do Engenheiro.

“Nossa cidade é de grandes artistas e de inúmeros talentos, e isso nos dá muito orgulho. A minha vida sempre foi entrelaçada com a arte e a cultura formiguense, elas moldaram toda minha história e me colocaram no mundo. Arte é vida, e é preciso disseminar a vida”.

Maria José Boaventura (Zezé)