Estou por aqui - Ala feminina

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“Sou de uma família numerosa e minha infância foi marcada pelo convívio com irmãos e primos, as brincadeiras eram inventadas com o que estava à disposição. Tudo era criado com o que tínhamos em casa e na natureza, era uma festa.  A vida era andar nas enxurradas, jogar futebol com bola de meia, me esconder no meio do milharal e brincar com bonecas de espigas de milho. O balanço era nas árvores, os carrinhos eram de carretéis de linha, depois era a alegria de andar com perna de pau, colher frutas frescas e ouvir histórias de assombração”. O relato bem que poderia ser de um livro daqueles de prender a atenção e que colocam o leitor prestes a momentos de pura emoção, mas ele é o registro da história de vida de Auta Vieira Arantes, a esposa do Waltercides Montijo, o Waltinho Contador, filha do Senhor Vigilato Bento Arantes e de Dona Vitória Vieira e mãe do Gustavo e do Daniel.

Nascida em 22 de agosto de 1967, ela estudou na Escola Estadual Aureliano Rodrigues Nunes, no Rodolfo Almeida, fez o magistério na Jalcira Santos Valadão, a Escola Normal. “Eu era encantada com a sala de aula, mas vi que não tinha o dom de ser professora assim que iniciei o estágio. Então, cursei Direito na Fadom em Divinópolis. Em 1993, fui aprovada no concurso do Tribunal Regional do Trabalho, onde estou até hoje, agora, prestes a me aposentar.”

Nascida na zona rural, a filha do Seu Vigilato e de Dona Vitória veio para a cidade aos sete anos para estudar. “Assim como todos da família, éramos obrigados a ajudar em casa, cada um em sua função. Na adolescência, comecei a descobrir o encanto pelo conhecimento, sempre fui muito estudiosa. Nossa geração foi privilegiada em termos de cultura aqui na Cidade das Areias Brancas porque sempre tivemos muitas opções de bons bares, festas, shows. Como não lembrar do Carlitos’bar ou da Praça Ferreira Pires, ponto de encontro dos jovens...? Como se esquecer dos grupos de jovens da Paróquia São Vicente Férrer, das serenatas e das viagens em grupo...?”

“Com relação a Formiga, sou bairrista e estou enraizada aqui. Amo viajar, mas o retorno para este lugar é sempre a melhor parte. Sei das deficiências de nossa terra, mas aqui me sinto acolhida, me sinto literalmente em casa.”

Auta Vieira Arantes