Fim do mundo

Fim do mundo
Anísio Cláudio Rios Fonseca (de Formiga/MG)




Mais uma vez, o prenúncio do fim do mundo. Estivemos em todos os outros. Foi divertido e até camisetas nós fizemos. Fatalistas de plantão espernearam e choraram suas fobias, mas nenhum cataclismo aconteceu. Terremotos e tsunamis sempre foram apenas provas da saúde do planeta, que de tempos em tempos resolve emitir vibrações não tão harmônicas assim. Espertalhões fundam seitas embasados em excrescências do imaginário popular e, de vez em quando, uma turma suicida em nome da seita. Passo muitas noites observando o céu atentamente, tentando observar a queda de um meteorito e coletá-lo. De repente aparece um bem grande e mergulha a Terra num inverno nuclear. 

Entretanto, acredito que o fim do mundo já aconteceu há muito tempo. Hoje somos zumbis, bombardeados diariamente com toda sorte de absurdos e somos incapazes de esboçar uma reação qualquer. Um planeta com oito bilhões de pessoas e que acredita em alguma coisa sustentável já morreu há muito. A globalização acabou por extinguir o que restava da humanidade. 

Hoje vejo corporações engolindo culturas inteiras, o desserviço prestado pelos canais de TV e a hecatombe do crack e outras drogas. Sim, o fim do mundo já aconteceu. Hoje nos arrastamos entre as cinzas do que já foi um lugar lindo de viver, mas que foi destruído pela ganância, egoísmo, corrupção e o descaso. Lamentável!

Finalmente há a guerra. Esta sim, a trombeta anunciando o fim do mundo Não nos choca porque as mídias colocam imagens como entretenimento. O horror fica distante, mas as consequências já entraram na nossa casa; e vão piorar. Até a presidência deu pitacos sobre as condições precárias das nossas forças armadas!!! Quem diria! Imaginem que para dar uma melhorada na infraestrutura serão necessários mais 450 bilhões de reais. Oremos!!

(Anísio Cláudio Rios Fonseca é professor pesquisador do UNIFOR-MG e coordenador do laboratório de mineralogia) e-mail: anisiogeo@yahoo.com.br