Foi uma chacina ou uma ação legítima?

Foi uma chacina ou uma ação legítima?
Dirceu Bueno da Fonseca é delegado de polícia aposentado




Há muitas obviedades. Uma delas: em questões controversas não há consenso. 

A recente operação policial realizada no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 121 pessoas, tem dado asa a que muitos manifestem sua opinião. 

Consideremos que “uma opinião é tão somente uma certeza subjetiva.” (dito do filósofo  André  Comte Sponville.)

Consideremos também que “para grandes males, grandes remédios.”

Não é surpresa a politização do assunto. Foi um “prato cheio” para as famigeradas “direita” e “esquerda”. As duas procurando angariar proveito político do episódio.

“Foi uma ação exitosa.” - dizem os direitistas. “Foi uma carnificina”, retrucam os esquerdistas.

Não se pode julgar com tanta facilidade uma ocorrência dessa natureza. Ela é, de fato, polêmica e complexa. Antes, é necessário compreendê-la bem. Não é fácil. Um fato bem esclarecido tem resposta para seis perguntas: “O que?” - “Quem?”- “Quando?” - “Como?” - “Onde?” - “por que?”.   

O que? - uma operação policial.

Quem? - O(s) autor(es) da ideia, planejamento, ordem e execução.

Quando? - Na noite do dia 28/10/2025.

Como? - Aqui é que está o XPTO da questão. Praticamente impossível de se saber. A pluralidade de pessoas envolvidas (policiais e bandidos), todos armados, no rechaço daqueles contra estes, comportamento das duas partes, situações inesperadas surgidas durante a ocorrência, exigindo, por parte dos policiais, decisões rápidas, sem tempo para reflexão, e ainda a índole de cada um (considerando aqui a imperscrutabilidade da mente humana), impossibilidade da individualização da conduta de cada um. Tudo isso contribui para que a verdade não seja conhecida “in totum”.

Onde? - Nos Complexos da Penha e do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro-RJ.

Por que? - Porque a ousadia dos bandidos estava sem limites. Fortemente armados, aterrorizavam as pessoas e desafiavam o próprio Estado. A situação exigia uma resposta à altura.

Indesejáveis “efeitos colaterais” infelizmente ocorrem em situações análogas. Ocorreram nesta. É lamentável.

Independentemente do matiz político que envolveu o episódio, há que serem respeitadas as opiniões embasadas em fundamentos razoáveis.

Oxalá a questão da Segurança Pública, maior preocupação dos brasileiros neste momento, seja doravante arrostada com aplicação de medidas a serem gestadas em mentes sábias, que, mesmo não contentando gregos e troianos, possam diminuir a distância entre os prós e os contras.