Garimpo
Garimpos ilegais se espalham pelo país como uma doença. Junto a eles, realmente seguem doenças sociais e biológicas de todo tipo. Como mineralogista de carteirinha, acompanho várias descobertas e ocorrências que são dilapidadas longe dos olhos da lei e, claro, da receita. O brasileiro tem por hábito culpar o sistema por suas infrações, buscando justificativas nas burocracias de leis ambientais, dentre outras. Ora, lei não é feita para ser discutida e sim cumprida. Independente do que penso sobre o sistema, elas estão aí para serem cumpridas e pronto. Culpam a miséria, a fome e as outras justificativas de sempre para cometerem atos ilícitos. Sem medo de usar ferramentas pesadas e destruírem os locais, migram aos montes na esperança de fortuna fácil e imediata. Bom, fácil não é; haja braços!!! E seguem-se mortes, prostituição, usura, todas presas ao brilho de uma gema.
Recentemente identifiquei alguns minerais que estavam (e estão) sendo extraídos na nossa vizinha Arcos. Legiões de garimpeiros ilegais agenciados por terceiros invadiram terrenos particulares em busca de quartzo com inclusões de brookita (um óxido de titânio), além de outras variedades. Houve dezenas de prisões e apreensões de ferramentas, armas e drogas. O material que não foi apreendido foi, segundo informações, direto para mãos de chineses. Até Formiga já foi alvo desse tipo de crime.
O caminho para a atividade legal de extração é longo, começando com alvarás de pesquisa e, no final, o registro da área e mineração com empresa legalmente constituída, como manda a lei. Qualquer um que esteja retirando bens minerais em proveito próprio está lesando o contribuinte e o patrimônio da União. Trilhões de reais já foram subtraídos do Brasil e enviados por baixo dos panos ou mesmo com notas subfaturadas, dentre outros meios, para as mãos de estrangeiros inescrupulosos.
De todos os bens minerais, ouro e gemas são os mais facilmente contrabandeados. Pequenos volumes, valores elevados, mercado ávido, mais ávido do que nunca. O garimpeiro? A esmagadora maioria se esvai nas lavras, torra todo o dinheiro do bamburro e acaba na miséria. Os intermediários e compradores finais acabam se dando muito bem. Enquanto isso, o brasileiro caminha sobre a terra pilhada, fração mais rica do planeta.

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