Gilberto Basílio (Giba)
Da coxia, vem um silêncio que cobre de expectativa a plateia que se acomoda atenta. Toma a cena um sentimento de pertencimento à arte, um clima de sensibilidade extrema, um olhar emocionado focado nos detalhes da vida.
Chegou para o primeiro ato no dia 31 de agosto de 1956 o ator, diretor, roteirista e poeta Gilberto Basílio, o Giba. Ele é filho de João Basílio Azevedo Júnior e Bárbara de Sousa Azevedo.
“Minha infância foi muito cuidadosa. Com o término da segunda guerra, as coisas ficaram escassas de 1945 a 1956, quando nasci. Tive pais cuidadosos e carinhosos com a educação na doutrina espírita, o que foi uma benção no decorrer dos anos. Na adolescência, o esporte era futebol, eu era beque central do Olaria, time de futebol do Engenho de Serra, isso lá pelo início dos anos 1970.”
“Quantas saudades das matinês do Cine Glória e do Circo de Touradas do Bia quanto se armava na cidade. Certa feita, um lance interessante: eu estava na plateia quando o touro passou o gradil e foi para cima do respeitado público. Foi assustador, depois que tudo voltou ao normal, todo mundo aplaudindo como se estivesse vendo a ator mexicano Cantinflas, o grande astro da época.”
Giba foi aluno da Escola Normal, depois do Rodolfo Almeida e do Joaquim Rodarte. Na sequência, o GOT. Sempre dedicado ao estudo, o que possibilitou aflorar e firmar o seu potencial intelectual e talento artístico. Foi aluno da Universidade Santana, em São Paulo, e pós-graduado em Artes Visuais na Universidade Federal de Minas Gerais. “No GOT, a primeira peça de teatro, “Somos irmãs”, que fiz para duas filhas de um juiz de Direito que morava no Engenho de Serra.” O artista esteve envolvido na produção e direção de mais trinta trabalhos, tem 250 peças escritas e já lançou oito livros de poesias.
Formado em administração, Gilberto Basílio trabalhou na área de comércio exterior em São Paulo por 25 anos, mas retornou às raízes. “O que mais me atrai em Formiga, em primeiro lugar, é minha família; depois, o hospitaleiro povo, sempre ligado às artes em geral e ao teatro. De 15 em 15 dias, havia sarau organizado pela família na casa de meu avô João Basílio. Não são poucos os grandes artistas de minha família, não dá para citar todos, mas destaco o conhecido saxofonista Tio Carlos e o cantor e compositor de renome nacional Nonô Basílio.”
Sempre lembrado como a verdadeira resistência do teatro da Cidade das Areias Brancas, Giba não para. Está sempre envolvido em projetos literários e de artes ciências dos mais diversos. “Acredito que contribuir com a cultura de nossa terra é fazer perpetuar o que há de mais importante em nossa passagem pela vida. Acho que este envolvimento com a criação é o que nos move e nos faz ter relevância em nossa existência. Sou de Formiga, acredito na cidade e sei que aqui é o melhor lugar para estar sempre”.

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