Homem X cachorros (e vice e versa)
Que mundo atormentado o de hoje: os EUA invadiram a Venezuela, a Rússia invadiu a Ucrânia, Israel invadiu a Faixa de Gaza e a cachorrada invadiu Formiga. Ironias à parte, cada qual com seu cada qual: Formiga vai ter de encontrar uma resolução para a pendenga que é a praga da infestação canina igual o ex-presidente Jair Bolsonaro procura solução para o seu soluço.
Formiga sempre teve cachorros soltos passeando impunemente por suas ruas e praças. Não há um só ser humano de duas patas que não se lembre de, em sua infância, ter de desviar de um ser cadela com suas quatro patas e sua renca de crias tomando conta das esquinas. Quem nunca chegou à escola com a sola do tênis lambuzada e fedendo? A cidade era feliz e não sabia…
Mas o que mudou? A diferença é que alguns seres humanos aparentando andar de quatro estão sendo obrigados a dividir espaços públicos com cachorros agressivos e violentos que só faltam tornarem-se bípedes para poderem ser considerados eleitores.
No início do ano passado, houve uma reunião em um dos auditórios do Unifor com a presença de vários setores da sociedade organizada para discutir a questão que teve o cão e sua família como protagonistas. Houve falas inflamadas, metas traçadas e entusiasmo amplo, geral e irrestrito. Porém, com o passar do tempo, o que se tirou de certeza substancial é que não há substância na hora do vamos ver. O que se confirmou é que a sociedade organizada é muito desorganizada.
Nesta semana, “O Pergaminho” deu com exclusividade que em dois anos houve mais de mil procedimentos na Saúde relativos a ataques de animais em Formiga, o custo disso é osso duro de roer. Algo tem de ser feito e é pra ontem.
Conforme relatou um professor do curso de veterinária do Unifor, muitos jovens de duas patas, no sonho de se tornarem craques em artes marciais, adquiriram filhotes de rottweilers e de pitbulls de quatro patas antes mesmo de terem o próprio quimono. Os bichos foram crescendo e só aí notaram os custos da ração e das vacinas. Como a vida não está para brincadeira, soltaram as feras e elas, de brincadeira, mantiveram relações sexuais entusiasmadas e sem a devida proteção com cadelas de rua, daí nasceram animas com aparência de Toni Ramos e DNA de Mike Tyson.
Depois das notícias da proliferação de ataques a feirantes, motoqueiros e transeuntes, depois da retirada de comedouros utilizados para tratar dos bichos nas imediações da rodoviária, novas reuniões e discussões estão sendo propostas. Vão novamente chamar quem já se reuniu antes e não resolveu nada para que haja, de novo, mobilização e entusiasmo amplo geral e irrestrito.
No centro dos debates, cachorros ávidos e sedentos por uma canela (se possível, duas). Na área periférica, pessoas de organizações protetoras de animais (que nunca tiveram um irmão, um pai e/ou um filho atacados) querendo medidas que não sejam eliminar os animais das ruas, e o pessoal que já foi ou teve entes queridos servindo de chicletes querendo tacar o pau.

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