Inflação dá sinais de acomodação e mercado projeta 4,06% em 2026

Inflação dá sinais de acomodação e mercado projeta 4,06% em 2026
Cida Leal é jornalista, escritora e membro da Academia Formiguense de Letras




O primeiro Boletim Focus de 2026 trouxe um recado claro: o mercado financeiro passou a enxergar um cenário de maior estabilidade macroeconômica, especialmente no comportamento da inflação. A projeção para o IPCA de 2026 ficou em 4,06%, uma leve alta de 0,01 ponto percentual em relação à estimativa anterior, mas ainda assim o menor patamar esperado desde 2018.

O ajuste marginal interrompe uma sequência de oito semanas consecutivas de queda nas projeções inflacionárias, sem alterar, contudo, o diagnóstico principal. Após meses de pressão, os preços caminham para uma trajetória mais previsível. Há apenas quatro semanas, a expectativa do mercado era de inflação de 4,16% ao fim do ano, o que reforça a percepção de desaceleração gradual.

Caso o dado oficial a ser divulgado pelo IBGE confirme as estimativas, a inflação permanecerá dentro do intervalo de tolerância da meta, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional em 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O acumulado de 12 meses até dezembro atingiu 4,41%, marcando o segundo mês consecutivo dentro desse limite. O IPCA havia permanecido fora da banda desde janeiro, após atingir o pico de 5,49% em abril.

No horizonte mais longo, as expectativas seguem ancoradas. O mercado mantém projeções estáveis de inflação de 3,80% em 2027 e 3,50% em 2028, sinalizando confiança na condução da política monetária e no arrefecimento das pressões inflacionárias de caráter estrutural.

Esse ambiente tende a influenciar decisões importantes ao longo do ano, sobretudo no debate sobre juros, crédito e crescimento econômico. Uma inflação mais comportada amplia o espaço para ajustes graduais na taxa básica de juros e melhora a previsibilidade para empresas e consumidores.

Enquanto os indicadores macroeconômicos apontam acomodação, o cotidiano do contribuinte já começa a sentir os efeitos do calendário de 2026. Em Minas Gerais, o pagamento do IPVA tem início em fevereiro, com desconto de 3% para quem optar pela cota única ou possibilidade de parcelamento em três vezes. Já a Taxa de Renovação do Licenciamento Anual de Veículo (TRLAV), no valor de R$ 35,62, vence em 31 de março e já pode ser quitada.

Em síntese, os números indicam um ano de transição: menos volatilidade nos preços, maior previsibilidade econômica, mas ainda com desafios fiscais e monetários no radar.

Fonte: Agência Brasil