Katana - o espírito do forjado em aço
Apreciador que sou da cutelaria, sempre estou estudando algo a respeito e me impressionando cada vez mais com a criatividade humana. Quando a humanidade dominou os segredos dos metais, cada civilização desenvolveu seu estilo para confecção de armas cortantes, sendo a espada seu mais nobre representante. Nesse tempo, homens eram diretos mesmo e todos pensavam duas vezes antes de lesarem alguém, porque tal problema iria fatalmente ser resolvido pelo fio de uma espada e não em infindáveis batalhas jurídicas, logo, ninguém iria querer sair pelas metades.
A Espanha foi o país que mais desenvolveu aços para armas, com destaque para as regiões de Eibar e Catalunã, famosas regiões de armeria e cutelaria. Solingen, na Alemanha, ainda vive seu apogeu na cutelaria. Já o cinema hollywoodyano elegeu a elegante Katana japonesa como a principal estrela de seus filmes de combate. Na verdade, existe uma grande profusão de espadas tradicionais produzidas pelos mestres cuteleiros japoneses, tendo o Brasil tido a honra de abrigar Tomizo Ishida, o grande mestre espadeiro. Tenho um amigo (escritor na área de armeria de renome mundial) que possui enorme acervo de cutelaria e, neste acervo, uma Katana produzida por este grande mestre.
O grau de cuidado para a confecção de uma Katana para os samurais beirava as raias da perfeição e havia um grande vínculo entre o mestre espadeiro, a espada e o guerreiro. A espada era uma extensão da alma do Samurai e à prática do combate ele se dedicava com louvor, única e exclusivamente para servir. O escasso minério de ferro era coletado nos cursos d’água, aquecido ao rubro nas forjas, martelado, dobrado e tratado por dias para que a massa de ferro obtida fosse moldada e tivesse uma têmpera diferenciada ao longo de sua estrutura, tornando-a praticamente indestrutível em seu uso normal.
Esta resistência da Katana é tamanha que existem na internet alguns vídeos mostrando provas desta resistência, inclusive com o uso uma metralhadora calibre .50 browning, de derrubar aviões. Obviamente a espada utilizada não sobreviveu à esta idiotice e tampouco pertencia a algum guerreiro ou colecionador moderno. Particularmente achei muito desrespeitosos tais vídeos.
O lema do samurai com sua Katana em combate era “um golpe, uma morte”. Esta arma em mãos treinadas é terrivelmente mortal, sendo que torneios mundiais de katas com Katanas impressionam o observador pela tremenda habilidade dos lutadores e podem dar uma idéia do que aconteceria se um guerreiro destes investisse contra uma multidão. Felizmente quem a empunha vive pela honra, não pelo mal. Tom Cruise tentou levar um Oscar com o filme “O último samurai”, onde há um grande foco entre guerreiro, espada e sua honra, mas o indicado foi Ken Watanabe.
Há também a saga de Highlander, o guerreiro imortal, estrelado por Christopher Lambert (MacCloud). O primeiro filme conta com a fantástica trilha sonora do Queen (que saudade!) e as ótimas interpretações de Sean Connery (o espanhol Ramirez) e Clancy Brown (vilão guerreiro Kurgan das estepes russas). Sean Connery porta uma bela Katana cujo aço foi forjado inúmeras vezes através dos tempos, pois as espadas se quebravam e eram reconstruídas, renascendo por último como a Katana, a qual acaba ficando com Lambert. Há diversos outros filmes que colocam a Katana em foco, mas estes são os mais midiáticos e, obviamente, conhecidos do grande público. Quem quiser ver Katanas em ação no cinema, há excelentes filmes com Toshiro Mifune, Richard Chamberlain (em Shogum), dentre outros, mas quem quiser mesmo vivenciar a emoção e a sensação de poder que uma Katana provoca, deve possuir uma; nem que seja uma réplica, já que uma original pode superar a casa dos U$ 120.000,00.

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