Lagoa do fundão II
Historicamente quem trabalhou nas obras da RFFSA por aqui, nos idos de 1905, sabia que não existia a lagoa do Fundão e nem a do Josino, já que são uma só. Havia lá um córrego que cortava um brejo, o qual era inundado esporadicamente pelas cheias do rio Formiga. Aliás, uma área enorme era inundada. Com o aterramento de partes da vargem grande para obras é que surgiu a lagoa. Isto é interessante e foi o típico impacto ambiental positivo. Nesta data, ninguém sabia o que era um impacto ambiental. O mundo se espantava com Santos Dumont e os irmãos Wright, que saracoteavam pelo espaço aéreo, pondo em prática as invenções de Da Vinci que culminariam na invenção do avião propriamente dito. Outras novidades tecnológicas assombravam o mundo. Nossa Formiguinha, eu nem imagino como podia ser em 1905, mas devia ter um ar tipicamente rural. Fotos antigas dão uma boa ideia disso.
Depois do represamento da água e surgimento da lagoa, muita gente passou a freqüenta-la. Devem ter limpado parte da margem para poderem usufruir do novo cartão-postal da cidade. É notório que, apesar de todos os problemas que vivenciamos hoje, nossa lagoa continua lá, praticamente sem poluição; quer dizer, ter até que tem, mas nada tão preocupante assim, senão seus usuários já teriam perecido vitimados pelas mais variadas enfermidades. Objetos em seu fundo existem, claro, inclusive uma malfadada bomba (lastro) despejada por aviões da FAB na década de 80 e que aguarda um Indiana Jones para resgata-la. Eu não, gente! Tem também um sem-número de garrafas, copos, latas, isqueiros, óculos e por aí vai. No trampolim no Country Clube já caíram na água uma infinidade de objetos e amigos meus costumavam resgatar dezenas de cascos de refrigerantes e afins de seu fundo lodoso para devolver ao Marquinho do bar.
A intensa urbanização descaracterizou muito daquele paraíso. Sua APP (área de proteção permanente) deve ser recuperada onde for possível, através de iniciativas públicas e privadas e aquela fantástica reserva deve ser vigiada de perto. Quem já possui residência à sua margem não deve ser penalizado por novas legislações, mas através de termos de ajuste de conduta, contribuir para recuperação e preservação de outras partes da lagoa. Não se pode nunca deixar acontecer o absurdo que aconteceu com a lagoa do Josino, onde simplesmente não existe mais nenhuma vegetação nativa em seu entorno, além do sistemático assoreamento que vem sofrendo.
O fato é que a lagoa esteve presente na vida de praticamente todos os formiguenses, direta ou indiretamente. É impossível imaginar aquele local sem sua imponente presença. Legiões de visitantes costumavam vir para usufruir da Praia Popular, sensacional idéia da administração Ninico Resende, que popularizou o lazer à beira d’água. Custou cerca de 200 metros de margem, pois foi aterrada ainda mais.
Só é uma pena que muita gente não cuide da lagoa com a devida seriedade. Polui-la, mesmo que com um simples copo de plástico já compromete a beleza de seu conjunto. Suas águas devem ser usadas com respeito e, com 120 anos nas costas, temos que cuidar ainda mais dela, porque foi um presente sem igual a todos nós, formiguenses.

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