Meia sola
Nos teus olhos, meus sapatos,
transeuntes, couro velho,
ressecados e sem vida,
sem a graxa, não me espelho.
De carinho e boa escova,
do descaso que assemelho.
Dê um grito, anuncie...
se te vejo junto à caixa,
e tuas mãos que aprecio,
tem flanela e a graxa,
um jornal de ainda ontem
e um samba que você puxa.
Eu já fui a casamento,
onde tinha só botina,
já pisei em muita lama,
ja voei e fui à China,
já pisei no Vaticano,
hoje estou com sola fina.
Meia sola ainda dou
mas preciso de cuidados,
ele sabe onde pisa,
mas do tempo eu usados,
vem a pressa e desliza,
para o chão logo puxados.
Mas os pés que me encaixo,
dizem muito quem eu sou,
é que lhes dei bom conforto,
do inverno que passou,
de tempestades e chuvas,
dos momentos que amou.
Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras

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