Mercado de trabalho em marcha lenta: o avanço penoso do Brasil
O setor de serviços, motor do mercado de trabalho brasileiro, voltou a mostrar fôlego em junho. É o que revelam dados do IBGE, divulgados na semana passada. Segundo a Agência Brasil, o crescimento foi de 0,3% em relação a maio, marcando o quinto mês seguido de expansão e levando o setor ao maior patamar desde o início da série histórica, em 2011. O setor concentra transportes, tecnologia, restaurantes, turismo e salões de beleza.
Notícia foi veiculada em todos os jornais nacionais de grande porte, que destacam que por trás do recorde, os números mostram contrastes.
Isso porque, das cinco grandes atividades pesquisadas, apenas transportes registraram crescimento. O segmento responde por 36,4% do setor e puxou o resultado positivo.
Enquanto isso, atividades ligadas ao consumo das famílias encolheram. O instituto mostra queda em itens como informação e comunicação, serviços profissionais, administrativos e complementares e outros serviços.
O turismo também perdeu ritmo. O índice que mede a atividade turística caiu 0,9% em junho, após já ter registrado queda em maio, acumulando retração de 1,3% no bimestre.
O retrato é de uma economia em movimento desigual. Se por um lado os transportes ganham força com a dinâmica produtiva, por outro, setores ligados ao lazer e ao consumo das famílias ainda enfrentam oscilações.
O setor de serviços, que emprega a maior parte da população, segue sendo o termômetro mais sensível da atividade econômica. O recorde histórico alcançado em junho é uma boa notícia, mas os números deixam claro que ainda há desafios em segmentos que traduzem a confiança e o poder de compra do brasileiro.
Para além dessa questão, o mercado de trabalho mostra outros dados, até certo ponto, favoráveis. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego recuou para 7,4% no trimestre encerrado em junho, o menor nível para o período desde 2014. Um resultado que reflete o aumento das contratações, mas revela um outro lado da desigualdade: quase 39 milhões de brasileiros estão na informalidade, sem carteira assinada ou proteção social.

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