NOVAS AMIZADES!
Não se pode jamais dizer: “dessa água eu não bebo”, afinal, “nada como um dia após o outro”. Meu amigo Jofre costuma dizer “estou velho demais para novas amizades”, outra frase que um dia certamente não fará mais sentido. Existem certas coisas na vida que são como são e não como gostaríamos que fossem. Aliás é assim na grande maioria das vezes, mas fingimos que não.
Eis-me aqui no auge de setenta e oito juventudes acumuladas, criando, sim, um novo círculo de amigos. O que me trouxe a isso foi o efeito do combo diabetes e pressão arterial alta, que culminou com uma DRC - doença renal crônica. Os rins são dois órgãos com formato de feijão, localizados na parte posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral. Cada um mede cerca de 10 a 12 cm e pesa aproximadamente 150 g, suas principais funções: 1- filtragem do sangue, os rins filtram cerca de 180 litros de sangue por dia, removendo resíduos tóxicos como: Ureia, Creatinina, Ácido úrico, esses resíduos são excretados na urina. Embora o corpo humano tenha cerca de 5 litros de sangue, esse volume circula repetidamente pelos rins ao longo do dia. Fluxo Sanguíneo Renal. Cerca de 20% do débito cardíaco vai para os rins. Isso equivale a aproximadamente 1 litro de sangue por minuto passando pelos rins. Volume Total Filtrado, em 1 hora: 60 litros (1 litro/min × 60 min), em 24 horas: 1.440 litros passam pelos rins. Mas nem todo esse sangue é filtrado integralmente — o que se mede são os filtrados glomerulares, ou seja, o volume de fluido que realmente passa pelos glomérulos (os filtros dos rins).
Taxa de Filtração Glomerular (TFG). A TFG normal é de cerca de 125 ml/min. Isso resulta em aproximadamente 180 litros. Dos 180 litros filtrados: 99% são reabsorvidos pelo corpo (água, glicose, eletrólitos). Apenas 1 a 2 litros viram urina, eliminando toxinas e excesso de substâncias. O sangue circula várias vezes pelos rins. Os rins filtram o plasma sanguíneo, não o sangue inteiro. O volume de filtrado glomerular é o que soma 180 litros por dia — não significa que o corpo tenha 180 litros de sangue.
O leitor acostumado a ler meus textos, por certo deve estar pensando que este poeta pirou, onde existe poesia, humor e ironia, elementos presentes nas suas escritas, num texto que fala de doença renal? Pois bem, guardem as pedras, é irônico o poeta exibir suas mazelas físicas publicamente de uma forma bem-humorada, outrossim, a forma como o faz, é sensível e poética, embora trate de realidade. Afinal o poeta, dizem, vive no mundo da lua, mas com os pés firmes na terra. O fato é que sem o funcionamento adequado dos rins, o corpo acumula toxinas, líquidos e eletrólitos em níveis perigosos. Isso pode levar a: Hipertensão, Edemas (inchaços), Anemia, Osteoporose, Insuficiência Renal. Portanto, a conclusão é que em resumo o problema é a filtragem dos rins. E quando ela deixa de acontecer pelas vias normais, contamos com o milagre da medicina para amenizar este caos.
A hemodiálise é um tratamento essencial para pessoas com insuficiência renal crônica, substituindo parcialmente a função dos rins, ela pode ser feita por Acesso Vascular quando o sangue é retirado do corpo por meio de um cateter venoso central (o meu caso agora) ou uma fístula arteriovenosa (ponte entre artéria e veia criada cirurgicamente) que me será implantada na próxima segunda feira. Esse acesso permite o fluxo contínuo de sangue para a máquina. Antes da sessão de hemodiálise são verificados: Pressão arterial. Peso corporal (para calcular o excesso de líquido a ser removido) Administração de medicamentos, se necessário. Filtração do Sangue O sangue entra no dialisador, que funciona como um filtro. Nele, toxinas como ureia, creatinina e excesso de eletrólitos são removidos por difusão e ultrafiltração. Solução de Diálise Uma solução especial com eletrólitos circula no dialisador. Ela ajuda a equilibrar os níveis químicos do sangue e a remover resíduos, após a filtração, o sangue purificado retorna ao corpo do paciente. Esse ciclo se repete continuamente durante a sessão que dura 4 horas, sendo necessárias 3 sessões por semana. O nome correto do cateter de acesso para hemodiálise é Shilley, mas médicos e enfermeiros abrasileiraram para Charlie. Então o meu primeiro mais recente amigo é o Charlie, que será desativado após a filtragem sanguínea ser feita através da FAV (fístula arteriovenosa, que é o acesso vascular preferencial para pacientes em hemodiálise crônica. Ela é criada cirurgicamente ao conectar uma artéria diretamente a uma veia, geralmente no braço. Essa conexão faz com que a veia se torne mais calibrosa e resistente, permitindo a punção repetida com agulhas para a hemodiálise. Cumpre salientar que a hemodiálise permiti que o paciente mantenha atividades diárias com mais conforto. Além dos agora, amigos do peito Charlie e FAV, existe o ciclo de amizades que congrega pacientes, enfermeiros e médicos, afinal entre pesagem e instalação na máquina etc., passamos em média 5 horas juntos a cada três dias. Entre os pacientes, a maioria é terceira idade, mas o rapaz negro na máquina ao lado da minha tem apenas 26 anos, e eu já vivi três vezes mais que ele.
Enfim, este texto é um desabafo e a minha forma de dizer a quem nada sabe a respeito, que o bicho não é tão feio como se pinta. Existem sim reações adversas após a sessão como: Queda de pressão arterial (hipotensão), especialmente se muito líquido for removido Câimbras musculares (essas me ocorrem às vezes por manter os pés esticados), Dor de cabeça ou náuseas, Infecção ou obstrução do cateter, Sensação de frio durante o retorno do sangue, (esta é muito comum, chego a tremer de frio), fadiga após a sessão, comum em alguns pacientes. Essas reações são monitoradas pela equipe médica, e ajustes são feitos conforme necessário para garantir segurança e conforto. Apresentei a vocês minhas novas amizades, e quanto ao fato de escolher este tema para escrever, prevalece o velho ditado, guardadas as devidas proporções. Se a vida lhe der um limão você pode fazer uma caipirinha ou uma limonada, o poeta fez uma crônica.

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