O Carnaval do Jaci
O Carnaval da Rua Nova, que teve como um dos idealizadores o vereador e presidente do Legislativo, Jaci da da Rua Nova, com apoio da Prefeitura de Formiga, foi extremamente importante para que a cidade possa analisar como fomentar uma das suas principais vocações: o turismo.
De uns tempos pra cá, tudo o que se vai fazer em Formiga com relação a investimento em cultura e entretenimento bate na trave do “não tem recursos” e do “ninguém vai se interessar”. Tudo só acontece quando “não houve dinheiro da Prefeitura” pode ser usado como argumento, como se isso fosse vantagem. O resultado é a cidade sobreviver dando de ombros para um importante setor que poderia movimentar sua economia. O evento acontecido nas imediações da Igreja do Rosário mostra que não é bem assim, gastar dinheiro do povo com o povo é sempre sucesso e nunca é em vão, a festa faz parte da sobrevivência humana.
Um argumento frágil e chinfrim que existe para não se fazer nada é que, durante o carnaval, “todo mundo vai pra Furnas”, o que não é verdade. Quem vai pra Furnas é quem tem casa em Furnas e que resolveu não alugar o imóvel durante o período. Assim como houve o Carnaval da Rua Nova, poderia haver o Carnaval do Quinzinho e o Carnaval da Água Vermelha com o Ouro Negro, todos simultaneamente (isso só para citar algumas comunidades), o problema é que não existe um Jaci do Quinzinho e um Jaci da Água Vermelha com Ouro Negro.
O evento do Carnaval deste ano deve ser objeto de análise: será que não deveria ser pensada a recriação da Secretaria Municipal de Turismo? Conforme deu na “Agência Brasil”, o país terminou 2025 no maior nível de atividade turística em 14 anos. O Índice de Atividades Turísticas (Iatur) fechou o ano com alta de 4,6% em relação a 2024. Com esse desempenho, o setor atingiu o patamar mais alto da série histórica, em dezembro de 2024. Em Belo Horizonte neste ano, uma cidade onde o Carnaval era um verdadeiro cemitério, houve mais de 600 blocos caricatos, repetindo 600 blocos. A movimentação financeira passou bem para lá de R$ 1 bi. O desempenho de dezembro de 2025 coloca as atividades turísticas 13,8% acima do patamar pré-pandemia da covid-19, em fevereiro de 2020, quando a economia começou a enfrentar restrições sanitárias e comerciais.
Formiga tem tudo para atrair o turista, mas muita coisa há de ser pensada. É a cidade mais próxima da capital com o Lagoa de Furnas, mas não tem uma marina pública, só tem acesso ao lago quem paga; tem uma das igrejas mais bonitas do estado, mas ela está sempre fechada em momentos do fim de semana e não há sequer um folder falando de sua importância e construção. Formiga tem as mais belas festas de ternos de congado e de folia de reis, mas elas nunca são vinculadas ao turismo.
Durante o período em que a Fatur (Faculdade de Turismo) esteve em voga, vários formiguenses se tornaram turismólogos e eles estão aí até hoje.
O Carnaval do Jaci aconteceu e deixou um cenário propício à análise. Há de se pensar.

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