O Dia da Mulher entre tapas e beijos
No último dia 8, domingo passado, foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. Houve distribuição de flores em tudo quanto é canto, desconto em restaurantes, mensagens em redes sociais e parabéns a torto e a direito. Isso para dar aquela maquiada, aquele toque de blush, batom e rímel na realidade crua e cruel.
Passado o “você merece”, volta pancadaria. Em Formiga, grande parte dos homens que perambulam por aí foram criados e alimentados na alma com a certeza de que macho tem mais direito que fêmea, é mais forte, provedor e o dono do pedaço e da patroa. Quando batia, ou bate, na sua amada era, ou é, para por ordem na casa. O vizinho que ouve o quebra-quebra suspira: “Em briga de marido e mulher, ninguém deve meter a colher”.
Durante os últimos dias, o Brasil tem assistido estarrecido pelos jornais a asquerosa notícia de que cinco jovens, um menor, praticaram estupro coletivo contra uma garota de 17 anos em um apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro. Um dos delinquentes ao se entregar à polícia usava uma camiseta com a inscrição em inglês: “Regret nothing”, traduzindo: Não se arrependa de nada.
Nas redes sociais, internautas comentaram que a frase estampada na camiseta parecia uma forma de afrontar as autoridades e a sociedade. “Regret nothing” seria uma das bases do movimento Redpill. Segundo o sociólogo do Grupo Reinserir Psicologia, Rodrigo Breato, a comunidade promove “depreciação feminina, conservadorismo e necessidade constante de autoafirmação”. “Um Redpill entende que uma mulher submissa é uma mulher ideal. É uma mulher a ser valorizada, desde que não demonstre independência de gênero”, afirma.
Na segunda-feira desta semana, dia 9, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que acionou a Polícia Federal (PF) para investigar usuários da internet que publicaram vídeos em que fazem apologia à violência contra a mulher.
Os vídeos que se espalharam nos últimos dias mostram homens simulando chutes, facadas e socos para casos de recusa em relacionamentos, como um fora, beijos ou pedido de casamento. As publicações foram legendadas com os dizeres: “Treinando caso ela diga não”.
Segundo a AGU, os vídeos tiveram origem em quatro perfis do TikTok e já foram removidos, mas os responsáveis devem ser investigados por incitar crimes contra a mulher. “A circulação sistemática de conteúdo misógino em plataformas digitais representa ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres”, disse o órgão. Os acusados podem responder pela incitação aos crimes de feminicídio, ameaça, lesão corporal e violência psicológica contra a mulher.
Em Formiga, um importante professor da rede pública contou ao jornal sob a garantia de que não ter seu nome divulgado que nas escolas não é comum trabalharem igualdade de gênero, respeito à mulher e as consequências que trazem possíveis casos de misoginia psicológica ou violenta.
Ano que vem, no mesmo Dia Internacional da Mulher, haverá mais flores. Se forem de plástico, não vão morrer… já as mulheres…

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