O preço do estrago
Nesta semana, foi revelado pela Secretaria Municipal de Obras que a recuperação da cidade de Formiga, que foi gravemente ferida pelas chuvas do dia 23 de janeiro, pode passar de R$30 milhões, e pior, pode demorar mais de um ano e meio.
A situação é triste, grave e preocupante. As demandas da população de Formiga não são poucas, há a questão de atendimento em UBSs, onde médicos estão trabalhando por cotas de atendimento, romanticamente intituladas de metas (mais ou menos como a coleta de lixo que é feita por tarefa, quem vê o pessoal dos caminhões deixando sacos pra trás na correria não sabe que cumprindo a rota, acabou o serviço, por isso se um saco cai no meio da rua, ele fica, se voltar pra buscar, atrasa a ida pra casa), tem a questão da educação que mantém salas multisseriadas (que é quando um professor dá aula para mais de uma turma no mesmo espaço e na mesma hora), tem a pendenga da capina das ruas e limpeza dos rios, como há também a preocupação estética, todo mundo quer viver em uma cidade agradável, confortável, bonita e com qualidade de vida.
As chuvas que avacalharam tudo foi inevitável (é claro que se os rios estivessem limpos, talvez alguma coisa que caiu estivesse em pé), é só ver o que aconteceu na Zona da Mara mineira, onde mais de 70 morreram, desses, 15 crianças. Ainda há pelo menos um desaparecido. As tempestades também provocaram grande número de desalojados e desabrigados naquela região. Mais de 500 pessoas ainda dependem de abrigos públicos. Há ainda mais de 8 mil desalojados temporariamente na casa de parentes ou amigos. O início de 2026 foi o mês mais chuvoso dos últimos anos em Minas Gerais.
A questão de Formiga estar na rota dos rios que transbordam não é novidade. Em um ciclo que gira em torno de 20 anos, o estrago chega e dá as caras. Em 2008, apesar de as chuvas chegarem a 168 milímetros (neste ano foi de 211), a coisa foi pior pelo fato de ela ter encontrado o chão encharcado depois de dias de chuva contínua e fina. Neste ano, a pancada veio primeiro, o que pode ser considerado sorte.
Agora é trabalhar e trabalhar, o preço do estrago já está na mesa. O problema maior é o tempo: um ano e meio.

Diagramador 4 








