Opinião: O valor de certas coisas

Anísio Cláudio Rios Fonseca (de Formiga/MG)

Opinião: O valor de certas coisas
Anísio Cláudio Rios Fonseca é professor do Unifor-MG, coordenador do laboratório de mineralogia e especialista em Solos e Meio-Ambiente




Dentro das técnicas de lapidação existe um enorme número de variações e combinações de faces das gemas. O raio laser veio aumentar estes horizontes para níveis inimagináveis, o que faz a alegria dos perfeccionistas. Já a grande maioria dos compradores de jóias para uso próprio é atraída apenas pela beleza em si, sem se importarem muito com os aspectos técnicos, até por falta de informação, o que é um erro. A beleza está nos olhos de quem vê; e compra, diz o ditado. As gemas mais compradas são as clássicas, insistentemente divididas em preciosas e semipreciosas. Esta divisão simplesmente não existe. Certas gemas “ditas” semipreciosas podem atingir valores muito maiores que as “ditas” preciosas. É o caso da turmalina – Paraíba. Dotada de cor azul a azul -esverdeado “berrante” devido ao seu conteúdo em cobre, antes pouco valia; hoje, ah, hoje custa os olhos da cara. Há nesse mercado uma profusão enorme de nomes fantasiosos que acabam por conspurcar a mineralogia e a gemologia.
O ourives que trabalha com confecção e reparos em joias é um artesão muito habilidoso, cujo potencial é, geralmente, pouco explorado. São artífices que podem extrair a beleza oculta em ouro e gemas. Desde a aquisição da gema e confecção de uma joia, há todo um processo que tem um toque especial do usuário e do ourives. Dou preferência às gemas naturais sem nenhum tipo de tratamento por calor e radiação. Gosto de gemas exóticas como as andaluzitas, cordieritas, espinélios (naturais), estaurolitas, euclásios, dentre outras. Das gemas mais conhecidas, as turmalinas são minhas preferidas. Trata-se de um grupo de minerais cuja enorme gama de cores, inclusive no mesmo cristal, as tornam extremamente atraentes e belas joias podem ser confeccionadas com elas.
Aconselho a quem deseja ter uma joia exclusiva que procure um dos competentes ourives formiguenses para realizar este desejo. Não estou excluindo (de forma alguma) as casas de joias que existem em Formiga, as quais são detentoras de belíssimas peças, porém, comparo a joia feita sob encomenda como a roupa sob medida.
Como curiosidade, conto que durante minhas militâncias no mundo dos minerais e das gemas, conheci em Coromandel-MG um comerciante de diamantes brutos que colocou em minha mão três peças raras:
- Um diamante bruto bipiramidal (8 lados) quase incolor de 18 ct (3,6g)
- Um diamante bruto bipiramidal (8 lados) róseo de 6 ct (1,2g)
- Um par de diamantes vermelhos perfazendo 40 pontos (0,08g) em brincos de sua filha
Gostaria de ter adquirido o diamante cor-de-rosa (não é o do filme do Roberto Carlos), mas era muito caro. O diamante maior possuía inclusões em seu interior que inutilizavam a maior parte de sua estrutura para lapidação e sua cor não era boa, mas, ainda assim, valia mais de U$ 130.000,00 no estado bruto. Os raríssimos diamantes vermelhos proviam da região de Cedro do Abaeté-MG. Eles mudavam de cor conforme a natureza da luz incidente, assim como as alexandritas, apresentando pleocroísmo anômalo. Espero sinceramente que a garota (hoje com seus 35 anos) tenha cuidado muito bem de seus raros diamantes vermelhos.