Opnião: Modismos e avanços

Anísio Cláudio Rios Fonseca (de Formiga/MG)

Opnião: Modismos e avanços
Anísio Cláudio Rios Fonseca é professor pesquisador do Unifor-MG e coordenador do museu de mineralogia e-mail: anisiogeo@yahoo.com.br




Depois de escrever sobre temas tão poéticos e gostosos sobre as mulheres, volto a discorrer sobre outros assuntos, tais como as interessantes mudanças em nossos hábitos. Vou explicar; como exemplo, antigamente, muitas propriedades rurais possuíam rodas d’água que faziam geradores funcionarem, fornecendo luz e energia. Com a ERMIG (Na época, CEMIG rural), muita gente desativou seus sistemas para usufruir dos confortos da vida moderna, proporcionados pela luz elétrica paga mensalmente. Nada contra, já que todo mundo gosta de conforto e muita gente não possuía meios de gerar sua própria energia, a não ser com o fogão a lenha.
O mesmo aconteceu com os paralelepípedos, que são rochas de composição granitóide clivadas paralelepipédicamente, para que fiquem com forma paralelepípedica! Ufa, quase destronquei a língua dando aula sobre isso! No governo Ninico, salvo engano, foi introduzido o bloquete sextavavado e foi largamente utilizado no calçamento da avenida Abílio Machado, estacionamento da praia popular, Engenho de Serra, entre outros locais. Posteriormente, foram substituídos e cobertos em muitos locais pelo asfalto, já que assim a pista fica mais homogênea.
Ora, vejam só que mundo pequeno; hoje, devido às práticas ecologicamente corretas, existem programas que incentivam o produtor rural a aproveitar pequenas quedas d’água para geração de eletricidade, economizando assim preciosos reais no fim do mês com as contas de luz, bem como a introdução de biodigestores para produção de gás e adubo. Vocês já pararam para pensar que estamos nas mãos de UMA fornecedora de energia elétrica, da qual somos totalmente dependentes? Onde estão os programas maciços para que cada um comece a gerar SUA própria eletricidade através de painéis de células fotovoltaicas? Onde está o coletor solar popular para aquecimento de água? Porque tudo ainda é tão caro? Vamos esperar o caos para começar a ficar espertos e sermos mais independentes energeticamente falando?
São sensacionais os veículos movidos a hidrogênio, cuja combustão gera água como subproduto, mas para obter o hidrogênio é preciso realizar a hidrólise da água através de corrente elétrica. No nosso país abunda sol para utilização em células fotovoltaicas e abundam hidrelétricas, mas muitos países desenvolvidos realizam a hidrólise da água utilizando a queima de carvão mineral, apenas mudando a poluição de lugar. No nosso país temos um enorme potencial para produção de energia limpa através de hidrólise e queima de hidrogênio em veículos especiais.
Bem, quanto aos paralelepípedos, acredito que são uma opção e tanto numa cidade rica em recursos petrológicos como a nossa. São duráveis, extremamente resistentes, geram empregos, agüentam até aquele bendito rolo compressor que passeia por aqui, são facilmente retirados para reparos nas redes de esgoto e correlatos, os carros andam normalmente mais devagar em ruas calçadas com eles. Fui informado na prefeitura que muitos locais foram calçados com eles e com os pés-de-moleque. Estando bem assentados, são muito úteis e, ainda por cima, permitem a percolação de água, coisa que o asfalto não faz.
Espero que o leitor não me tome por alguém arraigado apenas no que é tradicional, mas temos que concordar que certas coisas devem ser duráveis e que temos que ser mais independentes e procurar alternativas que nos permitam viver melhor.