Palhaço de mim
Pintei em aquarela os momentos de felicidade.
Eu as guardo em uma velha caixa de camisas, camisas velhas de moda que um dia foram arte na estamparia dos designers.
Passageiros desse trem.
Guardo as minhas canções românticas daqueles instantes com meus amores, essa arte de compartilhar a vida com outro alguém que naquele instante me pertenceu, ou talvez não, prefiro acreditar que não.
Guardo meus amigos emoldurados no meu sorriso, talvez naquele em que gargalhavamos
juntos a mim, em risos distintos ou em abraços silenciosos de cumplicidade na dor.
Tatuado em meu coração tenho minha mãe em seu leito de morte e meu silêncio que permanece gritando de dor ainda hoje.
Tento criar memórias de realidades em brincadeiras e palavras para meu neto, forjadas em metal precioso e duradouro.
Eu faço poemas, eu fiz canções, eu amo a minha família, eu canto, eu interpreto, eu esculpi meu choro no meu rosto, eu amo intensamente esse concretismo abstrato que é a dura arte de viver.
As vezes choro de mim , noutras eu rio.

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