Perigo elétrico
Se existe uma coisa que se prolifera mais em Formiga do que cachorro no Terminal Rodoviário, essa coisa é a bicicleta elétrica. Em cada esquina, uma nova surpresa, em casa surpresa, inevitavelmente, um tombo.
Ganhou as primeiras páginas dos principais jornais do país a notícia de que uma mulher e seu filho de 9 anos, que estavam em uma bicicleta elétrica, morreram atropelados por um ônibus na Tijuca, na Zona Norte do Rio, na tarde de segunda-feira, dia 30.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o acidente aconteceu pouco depois das 13h. Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, morreu na hora. O filho dela, Francisco Farias Antunes, chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas morreu a caminho do hospital.
A partir de janeiro de 2026, novas regras do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) para bicicletas elétricas no Brasil entram em vigor, exigindo motor de até 1000W, velocidade máxima de 32 km/h e funcionamento apenas pedalando (sem acelerador manual) para isenção de placa e CNH. Bicicletas com acelerador manual têm de ser tratadas como ciclomotores, exigindo emplacamento e habilitação ACC/A.
Em Formiga, o número de bicicletas elétricas impressiona. O chamariz é o baixo custo na hora de colocar na tomada associado ao não precisar de carteira, uma ilusão que só vai se concretizar se valeu a pena daqui a um bom tempo. Pelo que sabe o senso comum, motocicletas de cilindragem menor não gastam tanta gasolina assim, então a economia de gastos mensais não é tão significativa. Já a falta da exigência de carteira não pode ser vista como alívio, mas sim como uma exposição ao perigo.
Ciclovias não são vistas por todo canto na cidade, só em um ponto ou outro. Então, o que se vê é uma garotada costurando o trânsito em total diversão. Todo mundo brincando com o perigo. O desrespeito às leis de trânsito é um desatino motivado pelo “não vai dar em nada”.
É aguardar. O que acontece no Rio de Janeiro pode ser apenas uma premonição.

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