Poemas de aniversário (62º)

Poemas de aniversário (62º)
Ana Pamplona (de Formiga)




Acordei e achei o dia triste

fui remoer saudades,

como um filme se assiste.

Logo vi minha mãe chegando:

lá vem ela com o bolo e a vela,

os meus sessenta e dois acusando.

Confunde-se a figura dela 

com uma deusa do futuro?

A bolsa jogada de lado

pele cor de pêssego maduro

o cabelo dourado

pelo vento desarrumado

reluzindo tanto

tanto quanto o verde dos olhos

naquele corpo santo

o cheiro mais doce que arroz doce 

— Parabéns, filha...

toma esse envelope, tem um segredo

e levava o dedo à boca pedindo silêncio

silêncio, minha rainha

silêncio no mês de fevereiro...

Ana Pamplona é membro do Coletivo Poesia de Rua