Preço recua, mas o café ainda amarga no bolso
A primeira queda no preço do café em 18 meses trouxe algum alívio ao consumidor. Segundo o IPCA-15 de julho, o valor da bebida recuou 0,36%. Parece pouco, e é. Mas quando se fala de um produto que acumula alta de 76,5% nos últimos 12 meses, até um tropeço na curva já muda o tom da conversa.
Esse recuo já era esperado por analistas, em função do avanço da colheita no Brasil, que começou em março e ganhou força em junho e julho. Mais oferta no campo significa pressão sobre os preços, primeiro no atacado, depois no varejo. E a boa notícia cai direto na mesa do consumidor.
Ainda assim, a trégua é modesta. Em junho deste ano, o quilo do café tradicional bateu R$ 66,70, segundo a ABIC (Associação Brasileira de Indústria de Café). O dobro do mesmo mês do ano passado.
A inflação de alimentos ainda é um dos principais fatores que afetam o humor da economia e o cotidiano de milhões de brasileiros. O café, símbolo do nosso hábito e da nossa cultura, virou também termômetro da perda de poder de compra no orçamento doméstico.
Enquanto a inflação dá sinais de desaceleração pontual, como mostra o próprio IPCA-15, com avanço de 0,33% no mês e deflação de 0,06% no grupo Alimentação e Bebidas, o desafio permanece. Porque o café pode até ter ficado um pouco mais barato. Mas o custo de viver no Brasil continua alto.
Em tempo, nem só de preço vive a pauta.
Há uma movimentação interessante acontecendo longe dos grandes centros: cresce a demanda por cafés com menos cafeína. É o que revela reportagem do Valor Econômico desta segunda-feira (28), segundo a qual, a busca por opções mais leves tem estimulado produtores a diversificarem suas lavouras. Um exemplo é a Fazenda Daterra, que cultiva a variedade laurina, com apenas 0,6% de cafeína, cerca da metade do conteúdo encontrado no arábica convencional. É um sinal de que o consumidor está mais atento, mais exigente, e que o mercado precisa acompanhar esse ritmo.

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