Produtividade em pauta

Produtividade em pauta
Cida Leal é jornalista e assina a coluna Panorama Econômico, publicada quinzenalmente no jornal O Pergaminho.




“O fim da 6x1 expõe a baixa produtividade do país”. A manchete do O Estado de S. Paulo sintetiza o debate que avança no Congresso e domina os cadernos de economia. A proposta de encerrar a jornada de seis dias de trabalho para um de descanso traz à tona um velho entrave nacional: produzimos pouco, e isso encarece tudo.

Segundo o jornal, se aprovada, a mudança elevará o custo da hora trabalhada para as empresas. Com menos dias na escala tradicional, a tendência é de aumento na folha. Para compensar, será preciso ganhar eficiência, investir em tecnologia, reorganizar processos e qualificar mão de obra. Fazer mais em menos tempo. Caso contrário, a diferença pode aparecer nos preços ou no nível de emprego.

A Folha de S.Paulo informa que associações empresariais articulam para que a votação fique para depois das eleições. O tema, portanto, já entrou no campo político e sensível.

Apesar da relevância, a pauta ainda parece restrita aos gabinetes de Brasília e aos cadernos especializados. Fora dos círculos empresariais e sindicais, o assunto não domina as conversas do dia a dia, ao menos por enquanto. E, no entanto, trata-se de uma proposta que pode alterar a rotina de milhões de trabalhadores do comércio e dos serviços, onde a escala 6x1 é prática comum.

O Brasil convive há décadas com produtividade estagnada. Infraestrutura precária, sistema tributário complexo, informalidade elevada e gargalos educacionais ajudam a explicar o desempenho modesto. Reduzir a jornada sem enfrentar esses fatores pode apenas deslocar o problema.

Defensores afirmam que jornadas menos exaustivas elevam a qualidade de vida e podem até melhorar o rendimento. Críticos temem aumento de custos e pressão inflacionária, especialmente em setores intensivos em mão de obra.

No fundo, a discussão vai além da escala semanal. Trata-se de decidir se o país continuará apostando em mais horas trabalhadas ou finalmente encarará o desafio de trabalhar melhor. Resta saber quando, e de que forma, esse debate sairá dos gabinetes e chegará, de fato, à mesa dos brasileiros.