Salário maior já na largada: o que o recorde do emprego formal revela

Salário maior já na largada: o que o recorde do emprego formal revela
Cida Leal é jornalista e escreve sobre economia às terças-feiras




O mercado de trabalho brasileiro encerrou 2025 com um dado que ajuda a explicar as mudanças recentes nas relações de emprego. Em dezembro, a remuneração inicial média dos postos com carteira assinada alcançou R$ 2.304, o maior valor já registrado para o mês, segundo dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.

O número foi destacado na manchete da Folha de S.Paulo desta segunda-feira (2) e reflete uma combinação de fatores. De um lado, a valorização real do salário mínimo nos últimos anos elevou o piso das contratações formais. De outro, empresas enfrentam dificuldades crescentes para atrair e reter trabalhadores, em um mercado que segue aquecido mesmo com a desaceleração da atividade econômica.

O dado não aparece isolado. Informações divulgadas pela Agência Brasil mostram que o país encerrou 2025 com saldo positivo de cerca de 1,27 milhão de empregos formais, resultado que confirma a resiliência do mercado de trabalho. Já a PNAD Contínua, do IBGE, amplamente repercutida por veículos como O Globo e Estadão, indica que a taxa de desemprego permaneceu em níveis historicamente baixos no fim do ano, reforçando a pressão sobre a mão de obra disponível.

Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que essa escassez relativa tem levado as empresas a elevar os salários logo na porta de entrada. Análises publicadas no Valor Econômico destacam que o salário mínimo funciona como referência para grande parte das negociações formais, especialmente nos setores de comércio e serviços, puxando para cima a remuneração inicial.

Na prática, o movimento traz efeitos distintos. Para os trabalhadores, significa ganho imediato de renda e maior proteção frente ao custo de vida. Para as empresas, sobretudo as de menor porte, impõe desafios relacionados ao aumento de custos e à necessidade de ganhos de produtividade para preservar margens.

O recorde do salário de admissão, portanto, vai além de um bom número. Ele sinaliza um mercado de trabalho mais competitivo por trabalhadores, com impactos diretos sobre consumo, inflação e as perspectivas de crescimento da economia brasileira ao longo de 2026.