Sândalo Velho
Meu caçulo, casca grossa
onde pisas, morre a flor
em minha sombra, pregressa
nem explico a minha dor
Sou de sonhos, sou de carne
eu te guardo em temporais
bate fundo em meu cerne
os meus ventos ancestrais
Cai então a folha seca
e tudo se torna caos
vem o fogo e sapeca
viro brasa, marginal
Escorre a seiva em cheiro,
de pé já sou incapaz
um dia fui um sombreiro
hoje para mim, tanto faz.
Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras

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