Sangue de mulher

Sangue de mulher
Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras




Fora um  tempo de brisa

de amor e acolhida

de outrora bela vida,

já sem sombras de narcisa.

As palavras são desdém

e supõe de meus olhares 

sempre em busca de alguém

com seus ciúmes vulgares

Deixa marca logo em mim

será apenas mais um tombo

sangue sujo de carmim

mãos de santo em meu lombo

mas eu vejo entre  meus dedos

um covarde e seus medos

Há profundas cicatrizes

cheias de promessas vãs

a temer novos deslizes

noutros tombos de amanhã

talvez resta ou termina

sob fogo, minha sina.

É melhor que vás embora

Siga logo o seu caminho

vá, não olhe para trás

já não somos do mesmo ninho

ou talvez, nunca, quiçá

uma cobra e um passarinho