Santo canonizado por Leão XIV tem relíquia em Formiga

Igreja Nossa Senhora de Lourdes realizou celebração especial pela canonização de Carlo Acutis no domingo, dia 7

Santo canonizado por Leão XIV tem relíquia em Formiga




Formiga conta com uma relíquia do santo Carlo Acutis, canonizado no domingo, dia 7 de setembro, pelo Papa Leão XIV, em Roma, na Itália. Trata-se de um fio de cabelo que está exposto na Igreja Nossa Senhora de Lourdes para veneração.
A relíquia foi trazida para Formiga em 2022 por um católico chamado Guilherme, que contou como conseguiu essa importância do santo. “Tudo começou em 2019, quando o Papa Francisco convidou alguns jovens da área de economia para um encontro. Eu me senti chamado naquele momento e enviei uma carta demonstrando interesse em participar. Fui então convocado para esse encontro e representei a Diocese de Luz. Sabendo do Beato Carlo Acutis, eu conversei na época com Dom José Aristeu e o Padre Antônio, que era pároco da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, para que trouxéssemos essa relíquia para Formiga. As relíquias de primeiro grau são concedidas somente a membros do clero. E graças a Deus, conseguimos toda a documentação e a relíquia. Isso foi uma graça muito grande. Que ela agora nos ajude a nos aproximarmos mais de Deus. A Igreja nos orienta que, onde está a relíquia de um santo, é a própria presença do santo na comunidade”, disse.
Para comemorar a canonização de Carlo Acutis, a Igreja Nossa Senhora de Lourdes realizou uma celebração especial neste domingo, reunindo vários movimentos de juventude da cidade.
Os fieis que queiram venerar a relíquia do São Carlo Acutis são bem-vindos à Igreja Nossa Senhora de Lourdes, que está aberta de segunda a sexta-feira, de 7 às 20 horas. No sábado e domingo, ela funciona em horários de missas. 

A relíquia de São Carlo Acutis pode ser visitada para veneração na Igreja Nossa Senhora de Lourdes

A história do Santo Carlos Acutis

Carlo Acutis é o primeiro santo da geração millennial. Ele nasceu em Londres (Reino Unido) em 3 de maio de 1991. Na época, os pais dele, ambos originários da Itália, moravam em Londres, onde seu pai trabalhava. Carlo foi batizado duas semanas após seu nascimento.
No outono daquele ano, a família retornou a Milão, onde Carlo frequentou a escola primária no Instituto Tommaseo, administrado pelas Irmãs de Santa Marcelina (Marcelinas). Ele foi autorizado a receber sua Primeira Comunhão aos 7 anos de idade no Mosteiro das Eremitas Ambrosianas em Bernaga di Perego (Lecco).
Ao longo de sua vida, Carlo demonstrou profunda devoção à Eucaristia. Participava da Missa todos os dias e fazia uma “comunhão espiritual” nos dias em que estava ocupado com os estudos. Suas palavras, “A Eucaristia é minha auto-estrada para o céu”, tornaram-se famosas.
Foi catequista em sua paróquia, Santa Maria Segreta, em Milão, onde aprendeu a projetar e criar páginas web enquanto trabalhava no site da paróquia com um aluno de engenharia da computação. Desenvolveu tamanha paixão por esse tipo de trabalho que, no verão de 2006, projetou um site para um projeto de promoção do voluntariado em sua escola e trabalhou na página da Pontifícia Academia Cultorum Martyrum, da qual sua mãe participava. Ele também usou o computador para criar um layout para a oração do Rosário.
Carlo era um adolescente alegre e extrovertido, de bom coração. Não escondia sua fé e seu amor por Jesus. Em outubro de 2006, foi diagnosticado com uma forma agressiva de leucemia. Em poucos dias, sua saúde piorou. Ele ofereceu seu sofrimento ao Santo Padre, pelo bem da Igreja e pela esperança de ir para o céu. Após ser internado no Hospital San Gerardo, em Monza, recebeu o Sacramento da Unção dos Enfermos. Em 12 de outubro de 2006, aos 15 anos e 5 meses, Carlo faleceu.
Seu corpo foi sepultado inicialmente no túmulo da família em Ternengo (Biella) e, posteriormente, transferido para o cemitério de Assis. Há alguns anos, ele é conservado no Santuário do Despojamento, na mesma cidade de São Francisco, onde é exposto à veneração de um grande número de fiéis provenientes de todo o mundo.
Apenas cinco anos após a morte de Carlo, foi fundada em Milão a Associação “Amigos de Carlo Acutis”, com o objetivo de promover sua causa de beatificação e canonização. A investigação diocesana foi realizada em Milão entre 2013 e 2016 e, em 5 de julho de 2018, o Papa Francisco autorizou a então Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto declarando que Carlo havia praticado as virtudes cristãs em grau heroico.
Sucessivamente, o mesmo Papa reconheceu o primeiro milagre atribuído à intercessão de Carlo, ocorrido na Arquidiocese de Campo Grande (Brasil), em 2013. Isso possibilitou a celebração de sua beatificação em 10 de outubro de 2020, na Basílica Superior de São Francisco, em Assis.
Por fim, o Papa Francisco, ao aprovar um segundo milagre realizado por Deus por intercessão do Beato Carlo Acutis, ocorrido em Florença em 2022, abriu caminho para sua canonização.

O corpo incorrupto 
A Igreja distingue os casos de incorruptibilidade milagrosa daqueles de preservação natural por fatores ambientais. Também diferencia essas situações das técnicas artificiais, como o embalsamamento. A exumação de Carlo Acutis ocorreu em 23 de janeiro de 2019, antes de sua beatificação. Segundo testemunhas, o corpo estava ressecado, mas preservado. Para evitar deterioração após o contato com o oxigênio, médicos legistas realizaram um procedimento de mumificação com sal. Além disso, foi confeccionada uma máscara de silicone para o rosto e as mãos, usada na exposição pública.
O padre Carlos Acácio Gonçalves Ferreira explicou que o corpo não é considerado intacto, mas se encontra em bom estado: “Está muito completo, não intacto, mas completo. Todos os órgãos estão preservados.” 
Para a Igreja, o caso de Carlo Acutis não é de incorruptibilidade milagrosa, mas de preservação. Ainda assim, sua exumação permitiu que os fiéis o vissem de forma próxima, com roupas que remetem ao estilo dos jovens de hoje. “É bom que, pela primeira vez na história, se possa ver um santo de jeans, tênis e moletom. Essa é uma grande mensagem”, afirmou padre Carlos Acácio.