Soneto Aflorado

Soneto Aflorado
Robledo Carlos (de Divinópolis)




E dos meus dias brancos

sem aquarela, pincel,

essas janelas com trincos,

sem cores, um escarcéu.

De olhar sempre em frestas

do mundo cão lá fora,

rompi janelas robustas,

deflorando a luz da aurora.

Logo lancei as sementes,

por tanto tempo guardado,

do embornal de um demente.

E o branco encheu de vida,

com toda forma e vigor

das sementes sucumbidas.

Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras