Telhado de Zinco
Era telhado de zinco,
tinha pregos na parede,
os ganchos de minha rede,
tem a porta e não tem trinco
e uma gata, com quem brinco.
E São Pedro tudo vendo,
da telha, que fiz remendo,
observa, nada fala.
Se tem goteira na sala
é sinal que está chovendo.
Das goteiras nem me espanto
cai no balde, cai na lata,
vem do teto em cascata,
como sonho de encanto,
e os olhos caem em pranto.
A orquestra acontecendo
ao som da água gemendo
sem pompas, nada de gala.
Se tem goteira na sala
é sinal que está chovendo.
Robledo Carlos é membro da Academia Formiguense de Letras

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