Ventre boleia
Ela tem filho no ventre
despertar era preciso
antes que o sol adentre
já cansada sem sorriso
Faz marmita, leva o pão
põe um lenço na cabeça
põe perneira e facão
com neblina ainda espessa
Na boleia outras caras
com pertences junto ao banco
alguns cantam em voz clara
em compassos, solavancos
E então começa a lida
decepar o pé da cana
mesmo com a mão ferida
corta doce, amarga vida
Tem a queima, tem o vento
vai rompendo a tarefa
tem espreita o peçonhento
o capataz que não blefa
grita a todos os cantos
se não pode, há quem ceifa
Ela vive de esperança
de sonhos ainda por vir
traz no ventre a criança
que vai cantar, vai florir
desse sonho há quem possa
pede à Deus ela parir

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