Opinião: Aprendamos com a arte
Luiz Gonzaga Fenelon Negrinho (de Passos-MG)
Dos gênios da humanidade, o renascentista italiano Leonardo da Vinci foi excepcional em múltiplas áreas: nas artes, medicina, engenharia, arquitetura e na física. Fez muito e disse coisas interessantes de enorme valia ao nível de aprendizagem e comportamento. Dos seus feitos, a pintura de Mona Lisa, ou A Gioconda, chama a atenção pela sua grandeza, por ser a obra de arte mais expressiva e mais cara do mundo.
Sua tela chega a valer 13 bilhões de reais e, por lei imperativa do governo francês, não pode ser vendida, algo que é levado a sério. Na França, se consideram de grande responsabilidade as leis de proteção do patrimônio. Se não pode, não pode... Já no Brasil, estigma culturalmente detestável, se arruma jeitinho para quase tudo.
Das frases célebres do gênio italiano, ainda que tentem subverter e bagunçar o coreto, uma que guardo na lembrança e deve ser personalizada, porquanto perolizada, é esta: “Quem sabe realmente do que fala, não encontra razões para levantar a voz”.
Ora, quem tem razão não precisa gritar, esbravejar, desequilibrar-se emocionalmente. Pura perda de tempo para o tempo e oportunidade de se ficar quieto.
Ao participar como jurado de um festival da canção em Passos, num dado momento nos bastidores para detalhes de julgamento, quis valer meu ponto de vista aos brados. Na ocasião, quem presidia o evento era o médico Dr. Roberto Maia. Lembro bem. De maneira sutil e educada, me fez ver: “Gritaria é falta de argumentação”. Depois dessa, simplesmente, calei-me.
Ali, naquele instante, ao lado da adorável Cristina Piotto, colega de escrutínio do festival, descobriu-se a riqueza dos traços renascentistas de Mona Lisa, sem ter que ir ao Museu do Louvre reverenciar a beleza sedutora daquela que tornou-se famosa pelo sorriso tímido, introspectivo e enigmático.
Nisso falando, na abertura dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 (26/7), ao som de um piano, na magia da Torre Eiffel de Paris, a cantora Céline Dion surpreendeu o mundo das artes, ao cantar magistralmente “Hino ao Amor” (Hymne a l’Amour), clássico eternizado por Édith Piaf.
Em transcendência, cumprimento e consecução de ideais, é a arte reverenciando a vida em sua beleza, harmonia e complexidade.