A revolução que não veio com Ninico

A revolução que não veio com Ninico








Muita gente boa insiste em falar que em 31 de março de 1964 não houve um golpe militar no Brasil e sim uma revolução. Um equívoco total, aquele fatídico dia que chegou à sua glória com o AI-5, de 13 de dezembro de 1968, que resultou em assassinatos e torturas de estudantes, jornalistas, professores e operários, foi um dia em que a elite abastada brasileira se fortaleceu no poder. Não houve mudança da classe dominante, portanto, não se pode falar em revolução.

Para se poder chamar um movimento de troca de poder à força de revolução há de se ter como principal característica a mudança de classe detentora da caneta e das armas. A revolução francesa (1789/1799) é um bom exemplo, a monarquia absolutista que tinha governado a nação durante séculos com o apoio do clero entrou em colapso com a tomada de poder pela burguesia da época.  Naquele tempo, a burguesia era todo o povo dividido entre os girondinos, de visão mais conservadora, e os jacobinos, que queriam mudanças mais radicais. Saia a monarquia e entrou a burguesia.

Na revolução russa (1917/1923), houve o fim czarismo. As primeiras revoltas, que antecederam o movimento, foram contra os privilégios da nobreza e do clero. A população não aguentou ver que essas camadas sociais que tinham privilégios sociais enquanto passava fome. Então, a classe trabalhadora assumiu o poder.

Em Cuba, aqui bem no Caribe, guiado por Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos houve um processo revolucionário que chegou ao ápice em 1959. As ações foram conduzidas por um movimento guerrilheiro que atuava de uma região remota da ilha chamada Sierra Maestra. O então ditador Fulgência Batista que alimentava a pão de ló sua burguesia foi deposto e a classe trabalhadora assumiu as rédeas.

Em 1976 em Formiga, Antônio da Cunha Resende Ninico, um então vereador dono de uma pequena venda no Engenho de Serra levou a melhor nas eleições. Foi uma grande festa popular com direito a festa, churrasco e quebra de panela na Praça Getúlio Vargas. Naquele ano, muita gente achou que uma revolução havia sido instaurada, mas não foi isso que aconteceu.

Naquele ano, quando quebrou-se a panela, significou o fim da elite rural no domínio da política. Ela foi substituída pela elite urbana e vai continuar assim por séculos e séculos, amém!