Crônica: Arco sem flecha

AC de Paula (de São Paulo)

Crônica: Arco sem flecha
AC de Paula é dramaturgo, poeta e compositor








Seus olhos cristalinos e transparentes eram um par de pedras de gelo, duras, cortantes e glaciais. Ele sabia que quem planta discórdia colhe os raios da tempestade e sabe das consequências do risco de semear
Ele era extremamente comprometido com seus objetivos. Tendo tomado uma decisão, esta passava a ser definitiva.
Era-lhe difícil, quase que impossível, adaptar-se a novas situações, improvisar era uma palavra que não existia no seu dicionário.
Ele não era camaleão, não considerava o meio termo, ou era branco ou preto, desconhecia o bege e o cinza.
Mas nem sempre tudo na vida acontece de forma pré-concebida, aliás, muito pelo contrário. Não é fácil levar tudo a ferro e fogo, é preciso saber jogar o jogo, ter flexibilidade de atitudes e de opiniões, afinal é uma questão de sobrevivência.
A hora em que os nossos dragões saem do porão do pensamento, literalmente o bicho pega. A arte de domesticar e pacificar nossos impulsos é de importância vital.
Nem todo planejamento funciona exatamente sem qualquer problema nos dentes da engrenagem da vida. Mas existem diferentes fatores que obrigatoriamente vão exigir uma ação que não foi planejada.
Então, ou o exercício de improvisar entra obrigatoriamente em cena ou o resultado é a frustração.
O sonho sem atitude é um arco sem flecha.