Hélio Freitas Camargo

(Camargão da FAB)

Hélio Freitas Camargo








“A casa humilde e de pau a pique, sem água encanada, a luz era de lamparina. Nada foi fácil, mas o contato com a natureza, com os animais, alimentos frescos colhidos na horta, brinquedos improvisados, um córrego onde brincávamos e tomávamos o banho… pra mim já era o suficiente… foi um tempo muito feliz”, assim Hélio Freitas Camargo, o Camargão da FAB, filho do Seu Olavo Leite Camargo, o tio Olavo, e de Dona Teresinha  Camargo de Jesus, fala emocionado de sua infância.

“Meus pais tiveram 12 filhos. Dois dos irmãos partiram ainda novinhos, não cheguei a conhecê-los, sou o sétimo na ordem. Meu pai foi lavrador, trabalhou desde criança em diversas fazendas, sempre auxiliado por minha mãe, até que, por sua dedicação foi convidado a ser meeiro pelo dono da terra. Meu pai mantinha minhas três irmãs mais velhas, sendo uma em Pains e duas em Formiga em casas de parentes ou de amigos para estudarem. Elas ajudavam nas tarefas domésticas e ele com mantimentos da roça”.

Matriculado no Grupo Escolar Rodolfo Almeida, Hélio achava que a vida mudaria para pior. Levaria puxões de orelha da professora, beliscões e castigos. Seria uma situação de choros todos os dias. Só que o conhecimento lhe apresentou horizontes. Estudou no Pio XII e na Escola Normal. Saiu de Formiga em março de 1971 “em busca de oportunidades”.

Hoje, o filho do Tio Olavo é Ten-Cel Int Ref.  da FAB (Força Aérea Brasileira) e engenheiro civil aposentado residindo no Rio de Janeiro. Ele, que nasceu em 23 de março de 1954, é casado com Patrícia Guedes Camargo e pai de Hélio, Hélida e Matheus. As grandes paixões: os netos Lucas e Matheus.

Voltar a morar em Formiga fica só em pensamento. “As memórias não são poucas. Como me esquecer dos desfiles cívicos, das quermesses e das barraquinhas em eventos religiosos? Os campos de racha, as lagoas e a Praça de Esportes. Fui atleta de grandes técnicos, como o Sargento Gontijo, Seu Jacy, e Pavão”.

“Poucos tiveram o privilégio de brincar de pique-esconde no Bairro do Rosário, jogos de botões - nesse caso o interessante é que a gente mesmo os preparava: eram grandes, usados em roupas femininas, com as bordas desgastadas com caco de vidro,  tornando-os mais eficientes; as traves de madeira com filó colado nas bordas; os goleiros de caixas de fósforos e o campo era o piso cimentado da varanda, demarcado com fita. Lembro também das arapucas - coitadas das rolinhas; jogos de figurinhas - bafo;  bolinhas de gude… Que vida…!  Que vida…!”.