Opinião: A ALIMENTAÇÃO NOSSA DE CADA DIA

Eduardo Ribeiro (de Formiga)

Opinião: A ALIMENTAÇÃO NOSSA DE CADA DIA
Eduardo Ribeiro de Carvalho é membro da Academia Formiguense de Letras








PARTE 1

A comida é uma das necessidades básicas para a saúde e sobrevivência dos seres humanos. Disso todo mundo sabe. Contudo, há uma célebre frase que diz mais ou menos o seguinte: “o nosso corpo é o produto do que comemos, você é o que você come”. Isso é uma verdade que todos nós também parecemos conhecer. Os médicos especialistas, os nutricionistas, os informativos da televisão, os livros, as revistas, e até mesmo nossos vizinhos e amigos, nos informam a todo momento como é uma alimentação correta. Todavia, mesmo sabedoras disso pessoas do mundo inteiro têm grandes dificuldades em se alimentarem de maneira adequada.

Mas, afinal o que é uma alimentação adequada?

Entrando em área técnica de nutrição, os técnicos informam que para a alimentação possa nutrir de forma completa o nosso organismo, deixando nosso corpo saudável para exercer as nossas atividades cotidianas sem maiores problemas, a comida que ingerimos deve conter produtos de três grandes grupos alimentares, quais sejam:

 1- Os reguladores: que são encontrados em frutas, legumes e vegetais, que são ricos em vitaminas, minerais, água e fibras. Esses alimentos auxiliam o equilíbrio orgânico.

2- Os construtores: que são encontrados no leite e derivados tais como queijos e coalhadas, nos ovos e nas carnes em geral, no feijão, na soja e nas lentilhas, que são ricas em proteínas, e também nos minerais como cálcio e ferro. Esses alimentos são os que formam, mantém e reparam o organismo. 

3 – Os energéticos: que são encontrados nos cereais – arroz, milho, trigo, Aveia, farinhas e em massas – batatas, mandioca e em doces e manteiga, que são ricos em carboidratos e gorduras. Esses alimentos fornecem energia.

Em assim sendo, uma refeição para ser considerada saudável e nutritiva deve conter em sua composição um pouco de cada um dos ingredientes pertencentes aos três grupos alimentares acima aludidos. Como esses alimentos possuem várias cores, é comum dizer que o prato ao ser composto deverá apresentar-se bem colorido.

Quanto à quantidade a ser ingerida fica vinculada à necessidade de cada comensal, por exemplo, um atleta que gasta muita energia precisa com certeza de uma quantidade e variedade maior de alimentos para repor o seu consumo e ainda mantê-lo forte e saudável.   

Abaixo, apresento um cardápio básico que contém todos os ingredientes necessários a uma boa nutrição. Os itens devem ser variados nos demais dias da semana, por outros de igual valor nutricional, conforme constantes nos três grupos alimentares, para que o prato não fique repetitivo. Esse cardápio foi extraído da Cartilha da Boa Alimentação, de autoria de uma conceituada técnica de nutrição, cujo nome é Vitória de Matos Oliveira Alves, em parceria com este autor.

 

DESJEJUM: 7:00 H

Leite, ou iogurte, ou queijo.                                                 

Pão, ou biscoito, ou bolo, ou cereais.                                     

Margarina (pouca)

Café (uma xícara)

LANCHE 9:30 H

Fruta

ALMOÇO: 12:00 H

Carne magra, ou frango sem pele, ou peixe, ou ovo.

Arroz, ou cereais.

Feijão, ou outras leguminosas.

Vegetal-A (porção): Acelga, agrião, almeirão, berinjela, couve-flor,. Espinafre, jiló, pepino, brócolis, chicória, couve, repolho e tomate.

Vegetal-B (porção): Abóbora, abobrinha, beterraba, cebola, cenoura, nabo, quiabo, vagem e chuchu.

Vegetal-C (porção): mandioca, batata, inhame ou massas.

SOBREMESA: fruta.

LANCHE 15:30 h

Igual ao desjejum, em menor quantidade.

JANTAR 19:00 H

Igual ao almoço, porém em menor quantidade, com apenas uma fonte de carboidrato (arroz, ou massa, ou batata, etc.).

CEIA: 22:00 H

Leite.

Fruta.

 

PARTE 2

Muito bem, apesar de todo o conhecimento que adquiri na área da alimentação e, principalmente, para o bem de nossa saúde, proceder a ingestão de somente alimentos saudáveis, vejam vocês o que me aconteceu num dia desses atrás: eu peguei na geladeira uns quatro pedaços não muito grandes de carne de porco já cozidas e resolvi também fritá-las. Cortei-as então em fatias menores, mais finas, e joguei tudo dentro de uma panela de fritura. Acendi o fogo e fui para a sala de televisão para continuar a assistir o segundo tempo de um jogo de futebol. O meu time estava perdendo e como bom torcedor que sou me liguei no jogo, sofrendo como nunca, até que de repente comecei a sentir aquele tradicional cheiro de coisa queimada. Lembrei-me da carne fritando, levantei-me rapidamente e corri para a cozinha. Topei com aquela fumaceira preta saindo da panela, onde após eu desligar o fogo, assoprar a fumaça, pude enxergar minhas pretensas deliciosas fatias de carne.

Todas queimadas iguais carvão.

Com muito pesar comecei a retirá-las da panela para jogá-las fora. Foi aí que percebi que as fatias estavam queimadas só de um lado, do outro, as partes de cima que não tocaram no fundo da panela mostravam-se bem normais. Pela fome que eu estava não pensei duas vezes, peguei as ditas fatias, coloquei em cima de uma boa porção de arroz (que eu gosto muito) e fui de novo para o jogo, e lá mandei tudo para dentro do estômago, prazerosamente – ou seja, arroz, carne e carvão.

Resultado: passei um mal que é até difícil de ser relatado.

Todos os meus órgãos internos resolveram reclamar de uma só vez. Primeiro foi o meu fígado que inchou e passou a doer de modo incessante logo abaixo de minhas costelas do lado direito. Os meus rins idem, só que atrás na parte de baixo das costas. O meu estômago travou e emitia um refluxo que ardia por todo o meu esôfago até a garganta. Os meus intestinos na ânsia de ver-se livre de todo aquele alimento inadequado, não me deixava sair do banheiro. Era vômito e diarreia tudo ao mesmo tempo.  O negócio só veio mesmo a melhorar depois de uns três dias de sofrimento, onde eu só tomava soro caseiro, muita água, muito remédio e muita oração ao meu Senhor Jesus Cristo. 

Como gato escaldado corre de água fria, hoje em dia estou evitando até comer aquele pedaço de churrasco mais tostado, aquela rapa mais queimadinha de arroz do fundo da panela e até mesmo aquele grão de milho que não arrebenta – o piruá da pipoca, coisas que eu também tanto gosto. 

Enfim, a alimentação a qual tanto necessitamos para viver com saúde, também pode acabar com a gente, se não tivermos todo o cuidado do mundo nessa área.